Um recente acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU) colocou o Instituto Leo Moura no centro de uma grave apuração sobre o uso de emendas parlamentares no setor esportivo. Segundo o órgão de controle, foram identificados indícios de irregularidades severas na execução dos recursos.
Isso inclui a apresentação de orçamentos com indícios de falsificação a partir de empresas supostamente fantasmas, suspeitas de superfaturamento e sobrepreço, além da falta de comprovação de que os serviços e produtos contratados foram efetivamente entregues à população.
Veja as fotosAbrir em tela cheia O ex-jogador conversou com o repórter Netto Moura, do portal LeoDias.LeoDias TV Ex-lateral Léo Moura é investigado pela Polícia Civil do Rio em operação contra apostas ilegaisReprodução/X Léo MouraReprodução
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A entidade, liderada pelo ex-lateral e atual embaixador da Conmebol, foi a que mais firmou convênios com o Esporte no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), somando mais de R$ 69 milhões entre 2020 e 2022. As informações foram reveladas pela coluna de Demétrio Vecchioli, do Metrópoles.
De acordo com a publicação, embora a ONG ainda não tenha sido julgada em definitivo, o Ministério do Esporte apura as prestações de contas de 22 termos de fomento. Até o momento, 11 convênios já tiveram as contas reprovadas, o que resultou na abertura de oito tomadas de contas especiais pelo TCU para investigar o destino dos recursos públicos, cuja maior parte é do chamado orçamento secreto.
Auditoria da CGU aponta endereços falsos e desvio de finalidade
As apurações técnicas conduzidas pela Controladoria-Geral da União (CGU), concluídas em 2024, aprofundaram as suspeitas inicialmente apontadas pelo jornalista em 2020, época em que se revelou que os recursos da ONG eram administrados por uma empresa que tinha o próprio Leo Moura no quadro societário, e que a mesma emitia atestados de capacidade técnica para o instituto.
A auditoria constatou que a gestão federal anterior não realizou pesquisas amplas de preços para validar os orçamentos apresentados e que diversos representantes legais de empresas negaram a autoria de cotações utilizadas nos processos. Ao realizar verificações presenciais, os fiscais da CGU constataram que várias das empresas fornecedoras não existiam nos endereços cadastrados.
Em vez dos estabelecimentos comerciais, os auditores encontraram locais como uma sala do setor de gestão de pessoas de um hospital de cardiologia, uma sala vazia onde antes funcionava uma clínica de estética e um imóvel ocupado por uma empresa de outro ramo, encerrada em 2020.
Em 37% das visitas no Rio de Janeiro e no Amapá, os próprios núcleos esportivos não estavam no local previsto. A partir desse cenário, a apuração indicou que compras podem ter sido contratadas com sobrepreço de até 70% sem o devido recebimento dos itens.
O relatório apontou ainda que os estoques de materiais esportivos nas escolinhas eram significativamente menores do que a quantidade faturada. Além disso, não havia um cadastro formal das crianças beneficiadas pelo projeto, inviabilizando a comprovação do impacto social do gasto público.
Diante dos fatos, o ministro relator Weder de Oliveira determinou o prazo de 180 dias para que o governo federal conclua o exame de todas as prestações de contas pendentes.
Histórico de polêmicas na família e casos na Justiça
Além das investigações em torno do instituto de esporte, o nome da família tem aparecido no noticiário policial e judiciário por conta de controvérsias envolvendo Lívia Moura, irmã do ex-atleta. Ela tem sido alvo de inquéritos e ações judiciais sob a suspeita de envolvimento em esquemas de venda de ingressos falsificados para grandes eventos, como o Rock in Rio e desfiles de carnaval na Marquês de Sapucaí.
O caso ganhou ampla repercussão nacional na mídia, incluindo reportagens especiais no programa “Fantástico”, da Globo, que detalharam denúncias de consumidores sobre supostas fraudes na comercialização de camarotes e pulseiras de acesso. Segundo as autoridades policiais, a investigada teria utilizado seu sobrenome e a proximidade com o meio esportivo para transmitir credibilidade nas negociações.
O Ministério Público e a Polícia Civil ressaltam, no entanto, que o ex-jogador Leo Moura nunca foi investigado nesse inquérito e que não existe qualquer indício de sua participação nas supostas atividades da irmã. A defesa de Lívia Moura nega veementemente as acusações em todas as instâncias, sustentando a inocência da cliente enquanto os processos seguem em tramitação.

