A Polícia Federal (PF), ao indiciar o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, e outras 46 pessoas, afirmou ter encontrado mensagens extraídas de aparelhos apreendidos que mostram o uso de codinomes e linguagem cifrada entre os investigados.
Em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PF afirma que o então presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, chamava Antônio Camilo de “motoqueiro” e “senza capelli”.
A expressão, em italiano, significa “sem cabelo” ou “careca”.
Stefanutto, ao lado do advogado Gilmar Stelo, também indiciado pela PF, tratava outros investigados por codinomes, segundo os investigadores.
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da Coluna Manoela Alcântara
O ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Filho, era chamado de “malvado” nas trocas de mensagens, enquanto Carlos Roberto Ferreira Lopes, ex-presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), era identificado como “painho” e “funai”. O dirigente está foragido.
Segundo a PF, os codinomes eram utilizados para ocultar os reais assuntos e as pessoas envolvidas nas tratativas relacionadas às fraudes no INSS, esquema revelado pelo Metrópoles.
Indiciamento
Ao todo, 48 pessoas foram indiciadas pelos crimes de corrupção e outros delitos ligados ao esquema. Antônio, o Careca do INSS, é apontado como um dos principais articuladores dos descontos irregulares em aposentadorias e pensões por meio de associações.
O indiciamento faz parte do primeiro relatório final apresentado pela PF no âmbito da Operação Sem Desconto, investigação que apura fraudes relacionadas a cobranças não autorizadas feitas em benefícios de segurados do INSS.
Segundo a PF, as irregularidades investigadas podem ter causado prejuízo estimado em cerca de R$ 6 bilhões aos beneficiários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Pablo Giovanni.

