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Pode ser presidente quem vive correndo para o colo do pai?

Pode ser presidente quem vive correndo para o colo do pai?
Metrópoles

Na maioria das vezes, o primeiro movimento de um político suspeito ou acusado de crime é jurar ser inocente; o segundo é submergir durante o tempo necessário para que o caso esfrie ou caia no esquecimento. Se, dada a importância do cargo que ocupa, ele não pode sair temporariamente de cena, nega-se a abordar o assunto, entrega-o aos seus advogados e segue em frente com a maior desfaçatez.

É o que todos fazem. Foi o que fez, por exemplo, Flávio Bolsonaro ao descobrir-se que ele pedira e recebeu R$ 16 milhões de Daniel Vorcaro, ex-dono do extinto Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, de exaltação ao seu pai. Por sinal, Flávio prometeu que daria novas explicações dentro de 30 dias, mas o prazo esgotou-se e ele não as deu até hoje. Talvez jamais as dê.

A diferença de Flávio para os outros está em que ele, uma vez acuado, invariavelmente corre para o colo do pai atrás de socorro. Tem sido assim ao longo de sua vida. Foi assim em 25 de dezembro de 2025, quando Flávio, à porta de um hospital de Brasília, leu uma carta do chefe do clã indicando-o como pré-candidato à Presidência da República.

De novo foi assim no último sábado (11). Na primeira carta, Jair Bolsonaro, internado com crise intermitente de soluços, escreveu — ou escreveram e ele apenas assinou: “Entrego o que há de mais importante na vida de um pai: o próprio filho para a missão de resgatar o nosso Brasil. Trata-se de uma decisão consciente, legítima e amparada no desejo de preservar a representação daqueles que confiaram em mim”.

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Na carta mais recente, ele diz que “o momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento”. Por fim, informa que Flávio é o seu porta-voz, em quem confia para “resgatar o Brasil e nos conduzir” à paz.

Em dezembro de 2025, Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, ainda esperava a bênção de Jair Bolsonaro para disputar a sucessão de Lula, e ela não veio. Supostamente autorizada pelo marido, Michelle, a ex-primeira-dama, postou um vídeo nas redes sociais em 24 de junho passado no qual acusa Flávio de tratá-la com rispidez, humilhá-la e de não lhe dar ouvidos, afastando-se dele.

Condenado por tentativa de golpe de Estado e em prisão domiciliar, o ex-presidente enfermo deixou claro que lado apoia: o do filho, para restabelecer o comando da família sobre o Brasil. Se Michelle quiser, ele a apoiará como candidata ao Senado pelo Distrito Federal. No mais, que continue cuidando dele e de Laurinha, filha de ambos, pois é assim que deve comportar-se toda boa mulher.

Michelle não depende mais do apoio dos Bolsonaro, pai e filhos, para conquistar uma vaga no Senado. Será a mais votada, segundo todas as pesquisas conhecidas até aqui.

Apesar do apelo do patriarca, a direita de todos os matizes, à exceção da extrema-direita, não se juntará a Flávio no primeiro turno. Ele tornou-se um azarão.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Ricardo Noblat.

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