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Zendaya é criticada por usar brincos milenares; saiba origem das peças

Zendaya é criticada por usar brincos milenares; saiba origem das peças
Shane Anthony Sinclair/Getty Images

Zendaya, atriz norte-americana e uma das celebridades mais influentes da atualidade, está em turnê para promover seu novo filme, A Odisseia, dirigido pelo premiado Christopher Nolan. No longa, a artista interpretará a deusa grega Atena, personagem que inspira os looks usados pela atriz nos eventos de divulgação da obra. Na première que aconteceu em Londres, no dia 5 de julho, Zendaya apareceu com um par de brincos que chamou a atenção do público e, pouco tempo depois, teve sua controversa origem revelada.

Vem entender!

Elenco do filme: Benny Safdie, Lupita Nyong’o, John Leguizamo, Tom Holland, Anne Hathaway, Matt Damon, Robert Pattinson, Zendaya, Himesh Patel, Samantha Morton, Christopher Nolan e Emma Thomas

Origem desconhecida

Datado do primeiro milênio a.C, o par de brincos usado por Zendaya em Londres foi o elemento principal da produção da atriz, composta por um vestido branco fluido da Jacquemus e lenço na cabeça. O destaque ficou para os acessórios: joias feitas de discos ancestrais de ouro 18k que têm cerca de três mil anos.

Vestido é assinado pela francesa Jacquemus

A princípio, a escolha da peça teve uma interpretação positiva pelo público, até que foram descobertos mais detalhes sobre sua origem. De acordo com a joalheria Barron’s London, o item faz parte do Tesouro Ziwiye, que foi encontrado na década de 1940 em um sítio arqueológico localizado perto do castelo de Ziwiyeh, na cidade de Saqqez, no Irã.

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do Metrópoles

Brincos têm origem no Irã

Mas o que internautas estão falando na internet revela uma história mais complexa por trás. A arqueóloga conhecida como Dra. Z no Instagram gravou um vídeo no qual explica que, na verdade, não se sabe nada sobre a proveniência dos brincos, ou seja, sua jornada desde a sua terra natal, que provavelmente é o Irã.

“Eles fazem parte da coleção ‘Old World’, do joalheiro londrino Glenn Spiro, que utiliza artefatos reais provenientes do Oriente Médio, Norte da África e África Ocidental”, explica. “Eles foram adquiridos por seu filho por meios não revelados”, afirma.

Decote nas costas

Ela conta que Glenn afirmou em entrevistas que essas peças são um “diálogo com a gloriosa caça ao tesouro e o exotismo de terras distantes e do passado”. Para a arqueóloga, os artefatos provavelmente foram saqueados do Irã e “estão enfeitando as orelhas de uma atriz americana de um país que acabou de bombardear o país”, reflete.

Detalhe do vestido e do lenço na cabeça

Escolha inadequada

Ainda, Dra. Z faz um paralelo com o enredo do filme: “acho que a ironia de usar joias históricas em um filme que é um verdadeiro desastre em termos de linguagem anacrônica, armaduras, papéis de gênero e calças é uma escolha engraçada”.

Para ela, a melhor opção seria usar réplicas dos brincos, e não as peças originais. “Porque, sejamos realistas, o objetivo desses brincos não é mostrar a verdadeira arte antiga. É para fetichizar o passado, certo? Para ser uma mercadoria roubada para a elite, circulada de forma ilegal e imoral.”

Brincos remontam ao primeiro milênio a.C

Em sua visão, no entanto, esse não é o objetivo da exibição. Na verdade, trata-se de uma demonstração de classe.

Por fim, ela faz um pedido: “Caros criadores, por favor, não vamos promover esse tipo de fetichismo de mercadorias. Vocês sabem que isso alimenta o mercado negro de antiguidades, o que prejudica grupos culturais e a população local”.

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Um post compartilhado por Dr. Z the Archaeologist (@dr_archaeology)

Mercado negro

Outro ponto sobre a origem dos brincos também levantou debates, desta vez pela influenciadora Seema, que fala sobre arte, cultura e história. Ela relembra que na década de 1950, objetos de ouro como os discos usados por Zendaya começaram a aparecer no mercado e descobriram que eles vinham de um palácio situado em uma colina, localizado no que hoje é o Curdistão, uma região muito remota no Oriente Médio.

“Algumas pessoas argumentam que esses itens pertenciam a pessoas muito ricas que viviam em um castelo em algum lugar há milênios, e que, portanto, usá-los hoje – usar peças arqueológicas – os torna acessíveis às pessoas”, comenta.

Atriz é conhecida por usar looks temáticos nos eventos de promoção de seus filmes

O problema, no entanto, é que isso cria um mercado para esses itens, ela explica. “Já existe um mercado negro para artefatos históricos. Galerias onde pessoas da Nigéria, do Camboja ou do Nepal afirmam: ‘Isso foi roubado do meu povo’, destaca Seema.

“Existem tantos deles, por que não transformá-los em joias? Só porque algo costumava ser um item de luxo não significa que deva permanecer exclusivo para os muito ricos. Certamente não significa que devemos simplesmente saquear sítios arqueológicos para fazer acessórios”, reflete. “Espero que isso não dê início a uma onda de pessoas reutilizando itens arqueológicos de forma inadequada”, deseja.

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Um post compartilhado por Seema R (@artlusts)


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Juliana Eichler.

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