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Acre abre cadastro para reparar quem sofreu isolamento por hanseníase até 1986

Atendimento do cadastramento de pessoas atingidas pela hanseníase no Acre

Atendimento do cadastramento de pessoas atingidas pela hanseníase no Acre

Nesta terça-feira (1º), o Acre começa a cadastrar pessoas atingidas pela hanseníase que passaram por isolamento e internação compulsórios no estado. A ação é da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH) e vai permitir que essas pessoas recebam um certificado de reconhecimento — e um pedido de desculpas formal do governo pelas violações sofridas.

O trabalho segue a Lei Estadual nº 3.407/2018, de autoria da deputada Maria Antônia, que reconhece a prática de isolamento compulsório de pessoas com hanseníase no Acre até 31 de dezembro de 1986 e garante o direito ao certificado a quem fizer o requerimento.

Como funciona o cadastramento

Duas equipes vão trabalhar nessa primeira fase, segundo o secretário João Paulo. Uma delas é volante e vai até a antiga Colônia Souza Araújo, na região da Estrada Alberto Torres, onde ainda vivem pessoas diretamente atingidas pela política de isolamento. A outra funciona em parceria com o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), no Centro de Rio Branco.

Depois de receber a documentação, a equipe analisa cada caso para confirmar se a pessoa atende aos critérios da lei. Os primeiros certificados devem sair em 21 de setembro.

“É um momento histórico para a vida dessas pessoas. É um momento em que o Estado do Acre demonstra respeito a todas essas famílias e pessoas”, disse João Paulo.

A ação reúne várias instituições além da SEASDH: Ministério Público (MPAC), Tribunal de Contas (TCE), Procuradoria-Geral do Estado (PGE), Defensoria Pública (DPE) e a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre). Depois dessa primeira etapa, a ideia é manter um ponto fixo na SEASDH para atender pessoas de outros municípios do Acre.

Uma dívida histórica com quem viveu o isolamento

Para o diretor-executivo nacional do Morhan, Bil Souza, o cadastramento é o primeiro passo de um calendário de ações voltado a reconhecer as violações cometidas contra pessoas com hanseníase enquanto o isolamento era política pública no Brasil.

Segundo ele, parte dessas pessoas no Acre foi levada para locais de isolamento institucional, como a Colônia Souza Araújo, em Rio Branco, e estruturas semelhantes em Cruzeiro do Sul. Outras ficaram isoladas em seringais e outras unidades espalhadas pelo estado.

“Agora a gente vai iniciar um calendário de ações que vai culminar com a emissão do certificado do Estado do Acre pedindo desculpas pelo que aconteceu com as pessoas atingidas pela hanseníase até o ano de 1986”, afirmou Bil Souza.

A lei determina que o certificado reconheça, de forma oficial, que a pessoa passou por isolamento e internação compulsórios por causa da hanseníase.

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