O Acre não registrou nenhuma internação para realização de quimioembolização de carcinoma hepático pelo Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2015 e 2025. A informação faz parte de um levantamento divulgado pela CNN Brasil, elaborado com base em dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), que evidencia desigualdades no acesso ao tratamento especializado contra o câncer de fígado no país.
Embora o procedimento não tenha sido realizado em hospitais da rede pública acreana durante o período analisado, pacientes do estado conseguiram acesso ao tratamento em outras unidades da Federação.
Pacientes acreanos precisaram buscar atendimento fora do estado
Segundo o levantamento, foram registradas 24 internações de moradores do Acre, todas realizadas em hospitais localizados fora do estado.
O cenário revela a necessidade de deslocamento dos pacientes para centros especializados, o que pode representar desafios adicionais, como custos indiretos, afastamento da família e dificuldades logísticas durante o tratamento.
Acre está entre os estados sem oferta do procedimento
Além do Acre, Amazonas e Amapá também não realizaram nenhuma quimioembolização pelo SUS em seus territórios entre 2015 e 2025.
Somados, os três estados registraram 65 internações de moradores, todas realizadas em hospitais de outras regiões brasileiras.
Os dados reforçam a concentração dos serviços de alta complexidade em poucos centros especializados do país.
Região Norte teve o menor acesso ao tratamento
A pesquisa mostra que a Região Norte apresentou o menor número de procedimentos realizados pelo SUS.
Durante os 11 anos analisados, ocorreram apenas 30 internações em toda a região, o equivalente a 0,2% das 13.599 internações registradas no Brasil.
Entre os estados nortistas que realizaram o procedimento, os números foram:
- Rondônia: 20 internações;
- Pará: 8 internações;
- Roraima: 1 internação;
- Tocantins: 1 internação.
O Acre, Amazonas e Amapá não registraram nenhuma realização do procedimento em seus próprios territórios.
O que é a quimioembolização?
A quimioembolização é um procedimento minimamente invasivo indicado para determinados pacientes com carcinoma hepatocelular, o tipo mais comum de câncer de fígado.
O tratamento consiste na introdução de um cateter pelas artérias que irrigam o tumor. Por meio dele, são aplicados medicamentos quimioterápicos diretamente na lesão, juntamente com substâncias que bloqueiam o fluxo sanguíneo responsável por alimentar o tumor.
Essa estratégia permite concentrar a ação do medicamento na área afetada, reduzindo a irrigação do câncer e contribuindo para o controle da doença.
Em alguns casos, a técnica também pode ser utilizada como preparação para um transplante de fígado.
Cinco estados concentram a maior parte dos procedimentos
O levantamento mostra que o acesso ao tratamento permanece concentrado em poucos estados brasileiros.
Entre 2015 e 2025, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pernambuco e Paraná responderam por 74% de todas as internações para quimioembolização realizadas pelo SUS.
A concentração evidencia diferenças estruturais na oferta de serviços de alta complexidade entre as regiões do país.
Desigualdade no acesso à saúde
Especialistas apontam que a descentralização de procedimentos de alta complexidade continua sendo um dos desafios do Sistema Único de Saúde.
Quando o tratamento não está disponível no estado de residência, pacientes dependem do encaminhamento para centros de referência em outras unidades da Federação, o que pode atrasar o início da terapia e aumentar as dificuldades enfrentadas durante o tratamento.
A ampliação da rede de atendimento especializado é considerada uma medida importante para reduzir desigualdades regionais e garantir acesso mais rápido aos pacientes diagnosticados com câncer de fígado.

