O Acre transforma biodiversidade amazônica em negócios ao colocar produtos, conhecimentos e recursos da floresta no centro de uma nova agenda de inovação e desenvolvimento econômico. A estratégia ganha visibilidade durante o Inova Amazônia Summit 2026, realizado no Centro de Convenções da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco.
O evento começou nesta quinta-feira (17) e segue até sábado (19), reunindo empreendedores, startups, pesquisadores, investidores, representantes do poder público e pessoas interessadas em iniciativas relacionadas à bioeconomia amazônica. A entrada é gratuita e a programação inclui palestras, painéis, rodadas de negócios e oportunidades de investimento.
A proposta representa uma mudança na forma de enxergar a biodiversidade da região: em vez de tratar a floresta apenas como fonte de matéria-prima, a agenda busca estimular a criação de produtos e serviços com maior valor agregado a partir dos recursos naturais.
Biodiversidade como oportunidade de negócio
Óleos, frutos, sementes, cosméticos, alimentos e outros produtos associados à biodiversidade amazônica estão entre os exemplos que podem ganhar espaço em cadeias produtivas sustentáveis.
No Acre, essa transformação envolve a aproximação entre conhecimento tradicional, pesquisa, inovação e empreendedorismo. A intenção é criar condições para que produtos desenvolvidos na região alcancem novos consumidores e mercados.
Segundo informações divulgadas sobre o evento, o destaque do Acre no programa Inova Amazônia foi um dos fatores que contribuíram para a escolha do estado como sede do Summit em 2026.
Evento reúne negócios, inovação e sustentabilidade
A programação do Inova Amazônia Summit foi organizada em cinco trilhas: Juventude Amazônica; Sustentabilidade; Bioeconomia e Negócios; Territórios e Saberes; e Inovação e Conexões.
Além das atividades voltadas ao empreendedorismo, o encontro também conta com apresentações culturais e o Festival Inova Amazônia, reunindo artistas do Acre e de outros estados e países da região amazônica.
Outro destaque são as rodadas de negócios nacionais e internacionais e as rodadas de investimento destinadas a startups e empreendimentos inovadores. A proposta é aproximar quem produz na Amazônia de compradores, investidores e novos mercados.
Mudança de cultura na economia amazônica
A transformação proposta vai além da criação de novos negócios. A ideia é estimular uma mudança de cultura na relação entre desenvolvimento econômico e biodiversidade.
Nesse modelo, a floresta passa a ser vista também como espaço de inovação e geração de valor, desde que o aproveitamento de seus recursos esteja associado à conservação e ao uso sustentável.
O desafio, porém, envolve questões estruturais. Logística, acesso a financiamento, regularização sanitária, capacidade de produção e acesso aos mercados ainda são fatores que podem dificultar a expansão de pequenos empreendimentos da região.
Acre busca ampliar presença em novos mercados
A realização do Summit em Rio Branco coloca o Acre em uma vitrine nacional voltada à bioeconomia e à inovação. O evento também pretende conectar iniciativas amazônicas a oportunidades de negócios fora da região.
Na edição de 2025, o Sebrae informou que o evento movimentou mais de R$ 2,1 milhões em vendas e R$ 5 milhões em rodadas de investimentos, além de R$ 825 mil em rodadas de negócios.
Em 2026, a expectativa é ampliar essas conexões e transformar a biodiversidade amazônica em produtos, serviços e oportunidades econômicas capazes de gerar valor dentro da própria região.
O Inova Amazônia Summit segue até sábado (19), no Centro de Convenções da Ufac, em Rio Branco. A programação começa a partir das 14h, com entrada gratuita.
