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“Airbnb de festas” em BH: investidores relatam prejuízo e "sumiço" de CEO

“Airbnb de festas” em BH: investidores relatam prejuízo e "sumiço" de CEO
Investidores relatam prejuízo com Meu Bolinho, ligada a Alexandre Abreu e à mãe

Belo Horizonte — Uma startup mineira criada para conectar clientes a fornecedores de festas, reunindo serviços como bolos, doces, decoração e outros itens para eventos, está sendo alvo de denúncias de investidores. Pessoas que fizeram aportes na Meu Bolinho, de Belo Horizonte, afirmam ter perdido dinheiro no negócio, apresentado como uma espécie de “Airbnb de festas”. Segundo um dos investidores, a empresa pode ter captado quase R$ 1 milhão.

A empresa ainda não respondeu aos questionamentos do Metrópoles.

O advogado Rubens Oliveira do Nascimento, de 37 anos, registrou boletim de ocorrência com Daniel Souza Carvalho. Ele afirma conhecer Alexandre Abreu, promoter e CEO da Meu Bolinho, há mais de uma década e diz que confiava nele. A startup está vinculada à empresa registrada em nome da mãe de Alexandre, Vanilda Carvalho Abreu.

“Conheci Alexandre há mais de 12 anos, quando ele iniciou sua atuação no ramo de eventos, realizando eventos na antiga Usiminas. Desde então, acompanhei sua trajetória profissional”, contou o denunciante.

Em julho do ano passado, Rubens e um amigo fizeram um aporte de R$ 50 mil no empreendimento, sendo R$ 25 mil de cada. O advogado afirma ainda ter apresentado o projeto a outras pessoas, que também investiram na startup.

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Cuan Raymond foi o rosto da campanha da Meu Bolinho, startup de Belo Horizonte que se apresentava como uma espécie de “Airbnb de festas”

Redes sociais/ Reprodução2 de 2

A última publicação no Instagram da Meu Bolinho foi feita antes de a plataforma deixar de dar sinais de atividade

Redes sociais/ Reprodução

“Alexandre apresentou a ideia de uma startup voltada ao mercado de festas e eventos, nos moldes de plataformas como o Airbnb, com a proposta de permitir a realização de festas sem a necessidade de intermediadores. O investimento apresentado seria de R$ 50 mil, como participação na empresa. No meu caso, entrei com R$ 25 mil, enquanto um amigo, Rafael aportou os outros R$ 25 mil“, disse.

Ele contou que também apresentou o projeto a dois amigos, que realizaram investimentos de aproximadamente R$ 50 mil. “Posteriormente, tivemos conhecimento de outros investidores, alguns com aportes superiores a R$ 100 mil”, contou, Rubens.

Ele contou que tudo parecia correr bem. Inicialmente, contratos foram celebrados e Alexandre realizava reuniões periódicas para apresentar a evolução do negócio. A empresa promoveu ações de lançamento e teve, inclusive, o ator Cauã Reymond associado à divulgação, em dezembro do ano passado. O aplicativo, porém, não teria chegado ao público.

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Um post compartilhado por Meu Bolinho (@meubolinho)

“Ocorreu um lançamento oficial da empresa, com grande divulgação e investimento em marketing. Entretanto, não tivemos qualquer retorno financeiro, tampouco foi apresentado um projeto efetivamente desenvolvido ou uma empresa que demonstrasse atividade e rentabilidade. O que chegou a existir, na prática, foi uma estrutura de divulgação nas redes sociais, pelo Instagram, nem o aplicativo chegou a ser lançado”, disse o denunciante.

Empréstimo e interrupção dos contatos

Em fevereiro, Alexandre teria pedido R$ 25 mil emprestados a Rubens e Daniel para pagar funcionários da startup. Segundo o boletim, ele quitou a primeira parcela com atraso, mas deixou de responder aos investidores perto do vencimento da segunda, em 30 de abril.

Foi nesse momento que, segundo os investidores, a empresa interrompeu as prestações de contas e deixou a sede. Eles procuraram Vanilda, mãe e sócia de Alexandre, mas não obtiveram esclarecimentos.

Segundo o boletim de ocorrência, Rubens conta que foi procurado por Raquel, que seria irmã de Alexandre. Por meio do perfil do empresário nas redes sociais, ela teria informado que ele estava internado com pneumonia. Posteriormente, os investidores notificaram Alexandre e a empresa para vender suas cotas e deixar o negócio, mas afirmam não ter recebido resposta.

“Temos contato com pelo menos cinco outros investidores, alguns dos quais aportaram valores expressivos. Pessoas que chegaram a auxiliá-lo na administração também relataram que ele estaria tentando organizar as dívidas da startup, mas, posteriormente, simplesmente desapareceu e deixou de responder”, disse Rubens.

O advogado afirma ainda ter descoberto, após o “desaparecimento” de Alexandre, que ele já teria outros problemas financeiros anteriores à startup, inclusive relacionados ao Fifty Savassi, na região Centro-Sul da capital, antigo bar que administrava.

” O que mais causa indignação é que foram captados valores expressivos de diversos investidores — estimamos quase R$ 1 milhão — sem que, até o momento, tenha sido apresentado um empreendimento efetivamente desenvolvido, rentável ou capaz de justificar os valores recebidos”, informou.

Outra vítima

Thaís Ribeiro, de 30 anos, administradora de empresas, conta que investiu R$ 20 mil na Meu Bolinho após conhecer o projeto por indicação. Segundo ela, Alexandre foi bem recomendado e, depois disso, marcou uma apresentação para falar sobre a empresa.

“Ele agendou uma reunião em um restaurante renomado no qual preparou todo aparato necessário para se apresentar e apresentar o projeto. Ele ressaltou que era um excelente investimento e que o objetivo era abranger mais Empresas e pessoas. O projeto foi criar sites, aplicativos que facilita a filtrar locais e fornecedores para organização de aniversários e eventos”, disse.

Thaís afirma que começou a desconfiar quando ela e outros investidores perceberam que as reuniões mensais de prestação de contas deixaram de ser realizadas. Segundo ela, as tentativas de contato com Alexandre também passaram a ficar sem resposta.

“Os funcionários relataram que não estão mais na empresa”, contou. A administradora afirma que não recebeu retorno financeiro nem recuperou o valor investido. O último contato que teve com Alexandre foi em 14 de janeiro deste ano.

“Estou me sentindo expressamente abalada com a situação, visto que ate o momento não obtivemos retorno para resolução onde todas as atitudes e situações resultam em uma suspeita de um golpe”, contou.

Funcionários sem acerto

Um ex-funcionário da Meu Bolinho contou que trabalhou por cerca de oito meses na startup. Álvaro Castro, 28 anos, deixou um emprego onde estava havia anos após ser convidado por Alexandre para atuar como uma espécie de braço direito do empresário.

Segundo ele, quando chegou, a equipe era pequena, mas cresceu rapidamente, apesar de a empresa não ter clientes nem receita própria. O negócio, afirma, dependia dos recursos captados com investidores e chegou a reunir entre 32 e 35 investidores.

“A empresa dependia totalmente de investidores. Eu participava diretamente em rodadas de captação em que eu falava ali sobre o projeto e convidava essas pessoas para investir. Isso em diversos valores. Cada rodada um valor maior para a pessoa investir. Então saí de lá com um total de cerca de uns 32 investidores, 32 a 35 investidores.”

O ex-funcionário afirma que começou a perceber problemas quando os salários passaram a atrasar, enquanto a equipe continuava crescendo. Segundo ele, a plataforma, que deveria ser o principal produto da Meu Bolinho, não conseguiu gerar receita, e a empresa passou a vender publicidade no Instagram.

A situação teria se agravado quando Alexandre começou a recorrer a empréstimos, inclusive com os próprios investidores. “Foi uma bola de neve, empréstimo em cima de empréstimo, em cima de empréstimo, em cima de empréstimo e no final das contas não pagou absolutamente ninguém.”

Ele afirma que deixou a Meu Bolinho sem receber o salário do último mês e as verbas do acerto. “Além de acerto, também a questão do salário nem do mês foi pago. De muitos outros também não. Então, todo mundo está sem receber.”

Nas redes sociais

O perfil da Meu Bolinho no Instagram acumula cerca de 81 mil seguidores e teve uma publicação há quatro dias. Os comentários das postagens estão fechados.

No site, a empresa se apresenta como uma plataforma que reúne fornecedores e serviços para festas e eventos, além de restaurantes, bares, hospedagens, ingressos e opções de lazer. A página também anuncia áreas de presentes, cupons e outros serviços.

O Metrópoles entrou em contato com a Meu Bolinho, por meio das redes sociais e do telefone informado aos investidores, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.

A reportagem também entrou em contato com a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e aguarda um retorno.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Larissa Ricci.

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