Amazonas em alerta! Incêndio se espalha e ameaça casas no interior do estado
Fogo já atingiu mais de 200 hectares de vegetação na região do Rio Arari, em Itacoatiara, e fumaça afeta comunidades próximas
Bombeiros atuam em incêndio em zona rural de Itacoatiara (Reprodução/Liam Cavalcante/Rede Amazônica)
Um incêndio de grandes proporções avança pela região do Rio Arari, na zona rural de Itacoatiara, no interior do Amazonas, e já atingiu mais de 200 hectares de vegetação. As chamas se espalharam por diferentes pontos da mata e chegaram perto de casas e áreas de plantio nas comunidades Livramento e Ebenézer.
A área afetada corresponde a aproximadamente 280 campos de futebol. Segundo moradores, os focos começaram há mais de um mês e continuam avançando. A fumaça também alcança outras comunidades da região, além de caminhos utilizados pela população e trechos do Rio Arari.
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Incêndio destrói extensa área de floresta em ItacoatiaraLiam Cavalcante/Rede Amazônica Foco de incêndio na Floresta Amazônia em São Félix do Xingu, no Pará, registrado pelo GreenpeaceReprodução/Daniel Beltrá/Greenpeace Belezas naturais da AmazôniaReprodução
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Moradores de Monte Cristo, Santa Tereza e São Sebastião do Boto passaram a ajudar no combate ao incêndio. A direção da fumaça muda de acordo com o vento e faz com que diferentes áreas sejam atingidas ao longo do dia.
“Quando o vento bate para lá, a fumaça vem. Quando ela vem para cá, a fumaça vem também. Todo lado, não tem um lado que não tenha fumaça. A gente fica passando mal”, contou a dona de casa Leiliane Ferreira dos Santos.
Fumaça invade casas e prejudica moradores
A presença da fumaça também alterou a rotina das famílias que vivem nas comunidades. Moradores relatam dificuldades para respirar, principalmente crianças e idosos.
“As meninas lá em casa têm uma nenê de um mês e uma criança de três anos. Elas não conseguiram dormir por conta da fumaça, não conseguiam respirar direito”, relatou a dona de casa Gracinéia Silva.
Além das residências, a fumaça se espalha por áreas utilizadas diariamente pelos moradores. Enquanto isso, diferentes pontos da mata continuam exigindo atenção das equipes responsáveis pelo combate.
Acesso dificulta combate às chamas
O trabalho acontece em uma área de difícil acesso. Bombeiros, agentes ambientais e voluntários precisam percorrer trechos de mata e utilizar embarcações para chegar aos locais atingidos.
Em alguns pontos, a água é retirada dos rios e transportada em baldes até as áreas onde as equipes atuam. Também são abertos aceiros, faixas sem vegetação criadas para tentar interromper o avanço do fogo.
“A dificuldade é logística. O local é de difícil acesso. Nós temos que acessar tanto via fluvial como via terrestre, por dentro da mata”, explicou o segundo-tenente do Corpo de Bombeiros Fábio Campos de Menezes.
Na quarta-feira (23/9), as equipes concentraram os esforços em uma área de aproximadamente 120 hectares para tentar impedir que as chamas chegassem a novos trechos.
Drones também são utilizados para mapear a região e identificar os pontos mais críticos do incêndio. “O drone hoje é uma tecnologia que vem para nos auxiliar até mesmo nas tomadas de decisões, para onde a gente deslocar a equipe para ter melhor efetividade no combate ao incêndio”, explicou o secretário municipal de Meio Ambiente, Leonardo Rocha.
Gado também foi atingido pelo incêndio
O fogo chegou a uma área de criação de gado. Imagens registradas no local mostram animais deixando o trecho atingido pelas chamas. “Tem o nosso gado aqui no meio”, disse o pescador Júlio Sanches Dias Filho ao G1.
As chamas também chegaram perto de áreas de plantio e de imóveis nas comunidades Livramento e Ebenézer.
Moradores suspeitam que parte das queimadas tenha começado durante a preparação de áreas para roçado e posteriormente saído de controle. A vegetação seca provocada pela estiagem contribui para a propagação do fogo.
Até o momento, nenhum responsável foi identificado. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que vai investigar a origem dos focos e tentar identificar os responsáveis.
Moradores seguem preocupados com a fumaça
Com o incêndio ainda avançando por diferentes pontos, a população também teme os efeitos prolongados da fumaça sobre a saúde e a rotina das comunidades.
“É triste, muito triste, lamentável. A gente sabe que o povo fica clamando a respeito da saúde. Essa fumaça está sufocando as pessoas. Espero que daqui para frente venha amenizar esse fogo, as queimadas, para que nós não prossigamos mais dias nessa batalha”, afirmou o líder comunitário João Félix.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Guilherme Silva.
