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Anvisa libera fabricação da primeira caneta genérica de semaglutida no Brasil

Anvisa libera fabricação da primeira caneta genérica de semaglutida no Brasil

Anvisa libera fabricação da primeira caneta genérica de semaglutida no Brasil

Registro da EMS foi publicado nesta segunda-feira (17) e abre caminho para uma versão mais barata da semaglutida; produto ainda não chegou às farmácias

Medicamentos para tratamento contra a obesidade, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” (Reprodução)

A Anvisa aprovou, nesta segunda-feira (17), o registro da primeira caneta genérica de semaglutida do Brasil, produzida pela farmacêutica EMS. A decisão, tomada na quinta-feira (13) e publicada no Diário Oficial da União nesta segunda, abre uma nova frente no mercado das chamadas “canetas emagrecedoras”, embora o medicamento ainda não esteja disponível nas farmácias e dependa de etapas regulatórias antes de chegar aos consumidores.

A novidade é baseada na semaglutida, princípio ativo conhecido por estar presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy. A substância pertence à classe dos agonistas do GLP-1 e atua em mecanismos relacionados ao controle da glicemia, do apetite e da saciedade. Apesar de ser popularmente associada ao emagrecimento, a indicação aprovada pela Anvisa para essa nova caneta é o tratamento de adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado, em conjunto com dieta e exercícios.

Veja as fotos

Canetas emagrecedoraCrédito: Pexels Canetas emagrecedorasReprodução Ozivy, a primeira caneta de semaglutida feita no Brasil, chega às farmácias no dia 15Reprodução / EMS Caneta Monjauro foi aprovado pela Anvisa em setembro de 2023Divulgação

O que muda com a chegada do genérico

A aprovação representa um passo importante porque, até então, os produtos à base de semaglutida registrados no país eram classificados de outras formas. Em maio, a própria Anvisa havia aprovado o Ozivy, também produzido pela EMS, como o primeiro medicamento de semaglutida sintética análoga ao produto biológico. Na ocasião, a agência deixou claro que o Ozivy não era um genérico, mas um medicamento novo.

Agora, a nova aprovação enquadra a semaglutida sintética da EMS como medicamento genérico. Pela regulamentação brasileira, um genérico deve conter o mesmo princípio ativo, na mesma dose e forma farmacêutica do medicamento de referência e comprovar equivalência. Diferentemente de um produto de marca, ele não recebe nome comercial próprio: a embalagem traz o nome do princípio ativo.

O registro contempla quatro apresentações da caneta: soluções de semaglutida de 1,34 mg/mL em dispositivos de 1,5 mL ou 3 mL, com diferentes quantidades de canetas e agulhas. A aplicação é semanal e o produto precisa ser mantido refrigerado, entre 2 °C e 8 °C, antes e depois do início do tratamento.

Preço pode ser o grande atrativo

Um dos principais efeitos esperados com a chegada do genérico é o aumento da concorrência. Pela legislação brasileira, medicamentos genéricos devem chegar ao mercado com preço pelo menos 35% inferior ao medicamento de referência. O valor final, porém, ainda não foi definido para a nova caneta.

Como referência, o Ozivy, primeiro medicamento de semaglutida sintética aprovado pela Anvisa, chegou às farmácias com preços anunciados pela EMS entre R$ 452 e R$ 498 por caneta. Com a aplicação do desconto mínimo previsto para genéricos, uma estimativa apontada pela Folha coloca a nova versão na faixa de aproximadamente R$ 293 a R$ 323. Trata-se, porém, de uma projeção: o preço oficial ainda precisa ser definido.

O genérico também não está disponível para compra neste momento. Mesmo depois da autorização da Anvisa, ainda é necessário passar pela definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Depois dessa etapa, cabe à fabricante decidir quando colocará o produto à venda.

E o Ozempic?

A semaglutida perdeu a exclusividade de fabricação no Brasil em 20 de março, quando expirou a patente relacionada ao princípio ativo. O Ozivy foi o primeiro produto à base de semaglutida aprovado pela Anvisa após o fim dessa exclusividade. Em julho, a agência incluiu o medicamento na Lista de Medicamentos de Referência, permitindo que ele servisse como parâmetro para o desenvolvimento de outros medicamentos de semaglutida sintética, incluindo genéricos e similares.

Isso não significa, entretanto, que todos os produtos de semaglutida possam ser trocados automaticamente entre si. A intercambialidade depende da categoria regulatória e dos requisitos apresentados à Anvisa. Genéricos podem ser intercambiáveis com o medicamento de referência quando atendem às exigências estabelecidas, enquanto similares dependem de classificação específica da agência.

Outra caneta também foi aprovada

Além do primeiro genérico, a Anvisa registrou nesta segunda-feira um medicamento similar à base de semaglutida produzido pela Germed, empresa ligada à EMS. O produto será comercializado com o nome Semaclique. Assim como o genérico, ele será apresentado em caneta para aplicação semanal.

A aprovação simultânea de um genérico e de um similar amplia o número de opções de semaglutida no mercado brasileiro e pode aumentar a concorrência entre fabricantes. A expectativa de versões mais acessíveis, porém, só poderá ser confirmada quando os produtos efetivamente chegarem às farmácias e os preços forem definidos.

Outro ponto importante é que a nova autorização não significa liberação para uso sem acompanhamento médico. Como os demais medicamentos agonistas de GLP-1, a semaglutida sintética está sujeita à prescrição de receita médica em duas vias.

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Tags:Ozempic, Wegovy

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Luiz Henrique Oliveira.

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