O procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, disse em entrevista ao Metrópoles que o assédio eleitoral ocorre tanto na iniciativa privada quanto em governos.
“No chão da fábrica, muitas vezes, algumas imposições como uso de camiseta ou pedido para votar em determinado candidato que é de simpatia desse empregador caracterizam o assédio eleitoral. Da mesma forma ocorre na administração pública. O gestor pode ameaçar esse servidor público com a perda de cargo comissionado ou exoneração daqueles que não são do quadro efetivo”, explicou.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 131 denúncias sobre assédio eleitoral em 2026, até esta terça-feira (4/8).
Se ao final da investigação ficar comprovado que houve assédio eleitoral, o MPT pode expedir recomendação, convocar o empregador a assinar Termo de Ajustamento de Conduta ou acionar a Justiça por meio de ação civil pública que pode levar à condenação ao pagamento de indenização por dano moral coletivo.
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da Coluna Grande Angular
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Gláucio Araújo de Oliveira, procurador-geral do Trabalho
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Combate ao trabalho escravo e fim da escala 6×1
Durante a entrevista, o procurador-geral do Trabalho respondeu à justificativa dos Estados Unidos de que a tarifa de 12,5% a produtos brasileiros ocorre em razão de falha no combate ao trabalho forçado das cadeias globais de produção.
“O Brasil é uma referência mundial no combate ao trabalho escravo. Tem as forças-tarefas do Ministério do Trabalho, Ministério Público, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal que são parceiras. Tem operação toda semana de combate ao trabalho escravo no Norte, no Sul, Sudeste, nos grandes centros urbanos, mais na zona rural”, declarou.
Gláucio Araújo de Oliveira também defendeu o fim da escala 6×1, tema polêmico que já foi aprovado na Câmara dos Deputados e aguarda deliberação no Senado Federal. O procurador-geral do Trabalho declarou que a escala 5×2 será “positiva para o Brasil”.
“Nós apoiamos o fim da 6×1. O deslocamento por trabalho nos grandes centros se revela um elemento que causa um desgaste físico, psicológico também não está descartado. São conduções que levam duas horas, o transporte público também é deficiente. Então, se perde muito tempo e a produtividade é atingida nesse sentido”, declarou.
Para o chefe do MPT, é possível equilibrar a redução da jornada de trabalho sem prejuízo para a economia.
“Nós entendemos que vai melhorar a produtividade desse trabalhador. Acho que cabe um remanejamento nos turnos de trabalho. Nós estamos vendo muita doença mental, muito acidente de trabalho, muito acidente no percurso. Quer dizer, a velocidade hoje do ritmo de trabalho está desumano. Então, nós temos que frear um pouco isso. Eu acredito que não teremos problemas de ordem econômica”, disse.
O procurador-geral do Trabalho também explicou, durante a entrevista, que a monetização com trabalho infantil nas redes sociais depende de autorização judicial e falou ainda o que caracteriza vínculo empregatício no trabalho por meio das plataformas digitais. Assista a íntegra da entrevista:
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Isadora Teixeira.

