Há 66 milhões de anos, os dinossauros e toda a fauna existente na Terra foram dizimados pela queda de um asteroide. A queda, aliada a condições favoráveis, causou eventos climáticos extremos em todo o globo que provocaram o fim definitivo dos animais pré-históricos.
E, para a infelicidade dos dinossauros, um novo estudo descobriu mais um fator que beneficiou a extinção deles: o objeto que atingiu a Terra era um meteorito carbonáceo Ornans (CO), um subgrupo de fragmentos de asteroides extremamente raro e que representa uma fração ínfima dos que caem na Terra normalmente.
“Os condritos carbonáceos da classe Ornans definitivamente não são como os meteoritos típicos que encontramos em coleções de museus. Ser atingido por um projétil tão raro e distante realmente reforça o quão azarados os dinossauros eram”, aponta um dos autores do estudo, Philippe Claeys, da Vrije Universiteit Brussel, na Bélgica, em comunicado.
A descoberta, liderada pela Université Paris Cité, na França, em parceria com outras instituições europeias, teve seu resultados publicados na revista Science Advances na última sexta-feira (17/7).
O achado veio por meio de uma análise de amostras coletadas em cinco locais diferentes de onde está o limite Cretáceo-Paleógeno (K-Pg), a camada geológica que representa o fim da era dos dinossauros e marca a transição entre as eras Mesozoica e Cenozoica.
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do Metrópoles
Os exemplares foram comparados com amostras de 11 meteoritos condritos carbonáceos pertencentes a outros subgrupos. Na investigação, a procura principal era pelo níquel presente nas porções, pois o elemento tem concentração maior em meteoritos primitivos e esses objetos possuem diferentes assinaturas de isótopos de níquel.
Após isolar o elemento e purificá-lo nas amostras, as evidências apontavam que o objeto que dizimou os dinossauros pertencia ao grupo do carbonáceo Ornans (CO). Segundo os pesquisadores, a descoberta tira o enxofre do papel principal de “vilão” por ter favorecido as condições climáticas e ambientais para os eventos extremos.
“Um meteorito CO contém muito menos elementos voláteis – como carbono, zinco, água e, particularmente, enxofre – do que outras classes de meteoritos que descobrimos até agora na Terra. Isso não altera nossa teoria sobre o que causou o evento de extinção, mas torna menos provável que o enxofre contido no impactor tenha sido o fator definitivo”, afirma Claeys.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Jorge Agle.

