O terror vindo dos céus ganhou um capítulo dramático na noite de quinta-feira (30/7) no Complexo da Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Integrantes da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), ligados à conhecida “Tropa do Moreno”, utilizaram drones adaptados para lançar granadas contra áreas dominadas pelo rival Comando Vermelho (CV).
Um dos artefatos explosivos despencou direto na piscina de uma residência na Rua Maragogi, no Morro da Chatuba, local onde o traficante conhecido como “BX” ou “Buchecha”, apontado como chefe do Corte 8 (CV), realizava uma festa.
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A explosão dentro da água destruiu diversos ladrilhos no fundo do reservatório e assustou a vizinhança. Em imagens obtidas pela coluna Na Mira, moradores apareceram usando uma peneira de limpeza de piscina para retirar do fundo da água os estilhaços de ferro da granada e pedaços retorcidos do próprio drone que caiu durante a ação militarizada.
“Aulão de drone”
O episódio confirma de forma trágica a escalada tecnológica do narcotráfico denunciada recentemente pelo ex-secretário de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), o delegado Felipe Curi. Em vídeos estarrecedores revelados por Curi, dezenas de traficantes do Complexo da Penha aparecem fortemente armados com fuzis reunidos para o que a própria facção batizou de “1º Aulão de Drone”.
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Na ocasião, o ex-secretário divulgou inclusive o print de uma convocação via X (antigo Twitter) chamando os criminosos para a capacitação. Curi destacou que o faro policial não se perde e que a equipe observou a convocação nas redes sociais; embora a aula presencial tenha sido adiada na data original por condições climáticas, todos já estavam posicionados, e as imagens confirmam o que a polícia previa.
Segundo investigações da Polícia Civil, o uso desses equipamentos pelo crime organizado deixou de ser meramente contemplativo ou de vigilância e tornou-se um armamento ofensivo. Com a recente proliferação de cursos legítimos de pilotagem de drones voltados para moradores de comunidades cariocas, autoridades e especialistas já demonstram grande preocupação com o risco de infiltração.
Cooptados pelo tráfico
Há o temor real de que facções enviem criminosos para se qualificar ou cooptem jovens recém-formados com a promessa de dinheiro fácil.
Sobre a necessidade de proteger a juventude da periferia da cooptação pelo narcotráfico, Felipe Curi defendeu que quem mora na favela merece conquistar seu emprego de forma digna, se profissionalizar de verdade e prosperar, e não viver refém de facções criminosas que usam a tecnologia para espalhar o terror.
As forças de segurança informaram que o policiamento na região do Complexo da Penha foi reforçado e que as investigações continuam para identificar os operadores dos equipamentos voadores.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Carlos Carone.

