Avalanche no Nepal: número de mortos ultrapassa 300; mais de 1.500 seguem desaparecidos
A rota turística rumo ao Monte Kailash foi devastada pela força da lama e da água. Entre os desaparecidos, há centenas de americanos, britânicos, indianos e canadenses
Enxurrada no Nepal (Reprodução / YouTube: @SBTNews)
O cenário é de devastação absoluta e luto na fronteira entre o Nepal e o Tibete chinês. Nesta quinta-feira (27/8), as autoridades dos dois países atualizaram o trágico balanço da inundação catastrófica que varreu a região do Himalaia nas últimas 24 horas: o número de mortos saltou para 335, enquanto as equipes de resgate correm contra o tempo para localizar quase 1.500 desaparecidos.
O desastre humanitário, inicialmente associado pela população a um possível terremoto, foi na verdade provocado pelo colapso de uma geleira. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), a queda colossal de gelo e rochas desencadeou uma avalanche letal e uma enxurrada de lama que engoliu vilarejos inteiros em questão de segundos.
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Onda de lama invadiu o NepalCrédito: Reprodução X @CCTV Onda de lama causou destruição no NepalCrédito: Reprodução X @CCTV Chegada da onda de lama no NepalCrédito: Reprodução X @CCTV
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A força da água destruiu pontes, estradas, usinas de energia e casas, isolando completamente diversas comunidades. No lado nepalês, que concentra a maioria das vítimas fatais (332 óbitos confirmados), o distrito de Rasuwa e as margens dos rios Trishuli e Bhote Koshi foram os locais mais atingidos.
Enquanto no território tibetano, a destruição castigou a importante área comercial e portuária de Gyirong, onde três mortes foram registradas até o momento. O desespero das equipes de busca se agrava pelo alto volume de turistas envolvidos na tragédia.
A região é uma rota mundialmente famosa por atrair milhares de peregrinos e aventureiros a caminho do sagrado Monte Kailash. Do total de 910 desaparecidos registrados apenas no Nepal, as autoridades indicam que mais de 700 são estrangeiros incluindo grandes grupos de indianos, americanos, ucranianos, malaios, australianos, britânicos e canadenses.
No lado da China, a imprensa estatal reporta 558 pessoas sumidas, sendo pelo menos 260 de outras nacionalidades.
Aquecimento global e o risco iminente de novos desastres
O colapso no teto do mundo acende um alerta vermelho da comunidade científica sobre os impactos diretos do aquecimento global. Especialistas alertam que as drásticas mudanças climáticas estão fragilizando rapidamente as geleiras do Himalaia, tornando episódios extremos e a formação de lagos glaciais instáveis cada vez mais frequentes e mortais.
E o pesadelo nas montanhas asiáticas está longe do fim. Com rodovias bloqueadas por toneladas de escombros, o Exército nepalês precisou mobilizar mais de 5 mil profissionais para realizar resgates aéreos dramáticos com o uso de helicópteros. Além das dificuldades logísticas e do clima instável, há um temor iminente e palpável: um enorme bloqueio de detritos formou uma represa natural em uma área mais alta do rio, criando o risco gravíssimo de uma segunda onda de inundação.
Moradores de áreas ribeirinhas já receberam ordens de evacuação de emergência. Para tentar frear a crise humanitária, a ONU anunciou a liberação de US$ 2 milhões em fundos emergenciais, somando-se às ofertas de apoio enviadas por países como Estados Unidos, Canadá e Índia.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Henrique Carlos.

