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Brasil aciona OMC contra tarifas de Trump e contesta medidas dos EUA

Tarifaço dos EUA começa nesta 4ª (22/7). Veja itens taxados e isentos
Arte/Metrópoles

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) formalizou, nesta segunda-feira (27/7), um pedido de consultas à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas de 25% e 12,5% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

A medida, anunciada pelo Ministério das Relações Exteriores, abre a primeira etapa do mecanismo de solução de controvérsias da OMC e marca a reação oficial do Brasil às sobretaxas adotadas pelo governo do presidente Donald Trump com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Segundo o Itamaraty, o Brasil considera que as medidas norte-americanas “são injustificadas e incompatíveis” com as obrigações assumidas pelos Estados Unidos no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT 1994) e das regras de solução de controvérsias da OMC.

“O Brasil apresentou, em 27 de julho, pedido de consultas aos Estados Unidos (EUA) no âmbito do sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC)”, informou o Itamaraty em nota.

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Chanceler Mauro Vieira discursou nesta quinta (16/7) sobre as tarifas adicionais dos EUA ao Brasil

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O chanceler Mauro Vieira

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Lula e Trump em encontro na Casa Branca

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Reunião entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Ricardo Stuckert/PR

Brasil é alvo de duas tarifas

Brasil rejeita justificativas dos EUA

Na nota divulgada nesta segunda-feira, o Itamaraty afirma que as duas medidas norte-americanas violam obrigações multilaterais assumidas pelos Estados Unidos.

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“O Brasil considera que as medidas norte-americanas são injustificadas e incompatíveis com obrigações dos EUA no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio de 1994 (GATT 1994) e do Entendimento Relativo às Normas e Procedimentos sobre Solução de Controvérsias da OMC”, diz o comunicado.

Antes da conclusão da investigação sobre trabalho forçado, o governo brasileiro já havia contestado formalmente as acusações apresentadas por Washington.

Em manifestação encaminhada ao USTR em junho, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o país dispõe de legislação e mecanismos de fiscalização para impedir a entrada e a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado.

“O arcabouço interno e as medidas de fiscalização associadas são complementados por uma série de acordos internacionais destinados a erradicar o trabalho forçado entre os parceiros comerciais do Brasil e impedir que produtos fabricados com trabalho forçado ingressem no mercado brasileiro”, argumentou o chanceler.

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Recurso é visto como “simbólico”

O pedido de consultas representa a primeira etapa do sistema de solução de controvérsias da OMC. Caso não haja acordo entre os dois países, o Brasil poderá solicitar a criação de um painel para analisar a disputa.

No entanto, integrantes da diplomacia brasileira reconhecem que a iniciativa tem efeito prático limitado. O recurso deve cumprir, principalmente, um papel político e jurídico de registrar a posição brasileira diante das medidas adotadas pelos Estados Unidos.

A avaliação leva em conta a atual paralisia do Órgão de Apelação da OMC, responsável pela instância final do sistema de resolução de disputas. Desde 2019, o mecanismo permanece sem funcionamento após os Estados Unidos bloquearem a nomeação de novos integrantes durante o primeiro mandato de Donald Trump.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Manuela de Moura.

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