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Cães vão ajudar PCERJ a encontrar corpos em cemitérios de facções

Cães vão ajudar PCERJ a encontrar corpos em cemitérios de facções
Arte/Metrópoles

A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ), por meio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), vai contar com mais dois membros no combate ao crime organizado no estado. Peludas e atentas, as cadelas Cora e Lola, de 1 ano e 4 meses, estão sendo treinadas para localizar restos mortais em cemitérios clandestinos — comumente operados por facções criminosas.

A missão é pioneira no país e tem como principal objetivo localizar cadáveres escondidos em áreas de mata e locais de difícil acesso.

Da raça pastor-belga-malinois, Cora e Lola fazem parte do seleto grupo de 15 cães da Seção de Operações com Cães (SOC). Os animais têm um grande desafio pela frente e auxiliam em diversas operações complexas e de alto risco em todo o estado.

Os cães são especializados na detecção de drogas, armas, munições e explosivos. O grupo recebe treinamento diário em três frentes: fundamentos relacionados à socialização e à ambientação; detecção de odores; e condicionamento físico.

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da Coluna Mirelle Pinheiro

Os cemitérios das facções

Conforme noticiou a coluna em matéria especial publicada em dezembro de 2025, os assassinatos de pessoas sentenciadas por facções criminosas não se limitam a execuções violentas. A dinâmica posterior aos homicídios torna essas sentenças ainda mais brutais. Com o objetivo de ocultar os crimes, eliminar vestígios e se livrar de provas, integrantes de facções criminosas chegam, inclusive, a reduzir os cadáveres a pó.

Antes de chegarem aos chamados cemitérios clandestinos, as vítimas — que são majoritariamente rivais pertencentes a facções inimigas — são expostas a intenso sofrimento.

Isso porque há um ritual seguido pelos criminosos. Conhecida popularmente como “tribunal do crime”, a sessão envolve tortura psicológica e física, utilizada para que os integrantes da facção decidam o destino do alvo.

Após esquartejar os corpos para dificultar a identificação, os faccionados descartam as vítimas em locais ermos. Áreas de mata fechada em zonas rurais, distantes dos grandes centros urbanos, e casas abandonadas são os pontos preferidos para a criação de cemitérios clandestinos.

Nesses casos, os cães conseguem localizar vestígios que o olho humano não consegue identificar, desvendando o rito cruel e dando às famílias a possibilidade de, ao menos, enterrar os corpos.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Letícia Guedes.

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