O Ministério Público de São Paulo (MPSP), com apoio de outras autoridades do estado e da Receita Federal, deflagrou a Operação Crédito Oculto, contra um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o mercado financeiro e a compra de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.
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MPSP deflagra operação Crédito Oculto, terceira fase da Carbono Oculto, em SP e mais 6 estados
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A operação desta quinta-feira (24/9) é um desdobramento da Carbono Oculto, que aprofundou investigações sobre a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis.
A investigação revelou o uso de fintechs, fundos de investimento e empresas de fachada para ocultar o controle de uma usina sucroalcooleira e viabilizar a compra da distribuidora.
Entenda o esquema
- A operação mira uma estrutura criada para esconder os verdadeiros donos de uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo e viabilizar a compra de uma distribuidora de combustíveis.
- A titularidade formal da usina foi pulverizada entre fundos de investimento e empresas aparentemente independentes para ocultar os reais beneficiários.
- Em uma das operações, R$ 370 milhões em direitos creditórios foram negociados via cotas de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) financiado com recursos do próprio grupo, gerando um fluxo financeiro circular para dar aparência de legitimidade às transações.
- A organização criminosa direcionou R$ 100 milhões para financiar a aquisição da distribuidora de combustíveis. Em poucos minutos, o montante passou pelas contas de três empresas ocultadas em “contas bolsões” dentro de fintechs.
- As fintechs funcionavam como contas de passagem para fragmentar e ocultar a origem ilícita do dinheiro antes que ele fosse direcionado para a usina sucroalcooleira, que passou a integrar a carteira de um fundo de investimento criado especificamente para a transação.
- O fundo de investimento adquiriu um certificado de Depósito Bancário Vinculado (CDBV) junto a um banco tradicional.
- O banco emitiu créditos para duas empresas de fachada pertencentes à própria organização criminosa.
- Capitalizadas por meio dessa simulação, as empresas de fachada foram utilizadas para adquirir a distribuidora, criando a camada final de separação entre o dinheiro e os verdadeiros donos.
São cumpridos mandados de busca e apreensão em São Paulo e outros seis estados. Entre os alvos das buscas, estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial, e seus irmãos, André e Bruno Tupinambá. O dono da Entre Investimentos, o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, também é alvo.
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O Metrópoles pediu um posicionamento sobre a operação à Genial Investimentos, que controla o Banco Genial, e aguarda um retorno. A reportagem também busca a defesa dos demais envolvidos. A reportagem será atualizada em caso de manifestação.
A investigação do MPSP tem o apoio da Receita Federal, da Secretaria de Fazenda de São Paulo, da Procuradoria-Geral do Estado e das polícias Civil e Militar.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Rodrigo Tammaro.
