A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia recorreu a uma frase de Clarice Lispector ao iniciar seu voto na sessão extraordinária que avalia a abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes. O julgamento, que trata de mensagens trocadas entre o ministro e Daniel Vorcaro no âmbito do Caso Master, ocorre nesta terça-feira (15/9).
“Esses dias dizia a alguns colegas, conversei com o ministro Alexandre, com o ministro André, com vossa excelência [Fachin]… Eu bebi da lição de Clarice Lispector: ‘Eu não me perdi, mas experimentei a perdição’“, disse ela.
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A ministra Cármen Lúcia na abertura do julgamento sobre a divisão dos royalties do petróleo
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A ministra Cármen Lúcia durante o segundo dia de julgamento do STF sobre os royalties do petróleo
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Ministra Cármen Lúcia
LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova5 de 5
Ministra Cármen Lúcia
IGO ESTRELA/METRÓPOLES
@igoestrela
A ministra afirmou estar triste não apenas pelo tema em discussão, mas também pelo que classificou como um “mal-estar cívico” provocado pelo Supremo Tribunal Federal nos últimos dias. Ao citar Clarice Lispector, ela disse ter se sentido “perdida” diante da repercussão do impasse envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça e afirmou que o assunto havia tomado conta das conversas do cotidiano e dos telejornais.
“Eu estou triste, não apenas pelo tema que nos traz aqui, mas porque esse Supremo Tribunal Federal, guarda da Constituição, provocou, acho, um mal-estar cívico em todos os cidadãos brasileiros nos últimos dias”, afirmou.
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do Metrópoles
Na sequência, a ministra disse que os brasileiros deveriam estar concentrados nas próximas eleições e no futuro do país, mas que, nos últimos dias, só encontrava comentários sobre o que acontecia no STF. “O povo brasileiro deveria estar preocupado, ocupado, focado em ver qual é a eleição geral, qual o seu destino […] E o único assunto que eu via nos lugares que eu entrava, em uma farmácia, padaria, telejornais, era o que estava acontecendo aqui [no STF]”, declarou.
De onde vem a citação de Cármen Lúcia?
A ministra citou um trecho do livro A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector. O romance da escritora brasileira foi publicado em 1964 e inspirou o filme A Paixão de G.H., do diretor Luiz Fernando Carvalho com Maria Fernanda Cândido.
A obra é considerada uma das grandes publicações da escritora.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Vinícius Veloso.

