Entenda
- O escorpião é segurado com pinças em laboratório e recebe um leve estímulo elétrico na cauda para liberar pequenas gotas de veneno, sem precisar ser morto.
- Como cada animal fornece pouquíssima quantidade, é necessário criar milhares de escorpiões em laboratório para ter matéria-prima suficiente.
- O veneno é diluído em uma versão fraca e segura para ser injetado no cavalo, sem fazê-lo adoecer ou ter graves complicações.
- Os cavalos são escolhidos para participar desse processo por terem muito sangue, alta produção de anticorpos e boa tolerância às coletas.
- Quando a imunidade do cavalo sobe, o sangue é retirado e passa por uma filtragem para isolar os anticorpos que formam o antídoto.
Extração do veneno dos escorpiões para o antídoto
A primeira etapa do processo começa em laboratório com a chamada “ordenha” do aracnídeo, em que o bicho é imobilizado com pinças para a aplicação de um estímulo elétrico controlado na cauda. A descarga provoca a contração das glândulas e a liberação de poucas gotas da substância, que são recolhidas em recipientes sem a necessidade de matar o animal.
Por fornecer uma quantidade muito pequena por indivíduo, a fabricação da vacina exige a criação de milhares de escorpiões em cativeiro. No Brasil, o veneno do escorpião-amarelo é a base principal, garantindo uma proteção cruzada eficaz contra outras espécies do mesmo gênero.
A complexidade dessa fase inicial demonstra o esforço necessário para obter a matéria-prima do antídoto, exigindo manejo constante e respeito ao tempo de descanso dos aracnídeos.
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do Metrópoles
Aplicação e processo de produção do antídoto no cavalo
Após ser diluído e transformado em uma versão controlada do veneno, o material é aplicado nos cavalos em doses baixas e fracionadas por via subcutânea. Os equinos são escolhidos devido ao grande volume sanguíneo e à alta capacidade de produzir anticorpos, passando por acompanhamento veterinário contínuo para evitar qualquer envenenamento grave.
O sangue do cavalo só é coletado quando a concentração de defesa atinge o nível adequado. Depois disso, o plasma bruto passa por um processo industrial bem rigoroso de “refino” e purificação para virar o produto final e ser aplicado em vítimas de picada.
Conforme detalha o biólogo, a substância atua diretamente na circulação sanguínea do paciente, pois “os anticorpos do soro reconhecem partes específicas das toxinas do veneno, ligam-se a elas e impedem que continuem atuando sobre células e órgãos”.
Por não desfazer lesões já instaladas no organismo, a administração do antídoto deve ocorrer o mais rápido possível para evitar complicações graves.
Maiores desafios no Brasil para o abastecimento do antídoto
O rápido crescimento dos acidentes urbanos pressiona a capacidade de fabricação e a logística de distribuição do tratamento no Brasill. Por depender de etapas que envolvem seres vivos, desde o cativeiro dos animais até a resposta biológica dos cavalos, qualquer atraso na produção impacta o abastecimento dos pontos de saúde.
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Embora os escorpiões não estejam diretamente ligados à sujeira, manter ambientes organizados, livres de resíduos e com atenção aos detalhes faz toda a diferença
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Comum no Brasil, o escorpião-amarelo é extremamente venenoso
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O escorpião pode se esconder em diferentes lugares da casa
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Os escorpiões amarelos são nocivos à saúde humana
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Elas também podem consumir escorpiões pequenos
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O cheiro forte de algumas plantas incomodam os escorpiões
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Escorpiões assustam moradores pelo tamanho
Arquivo pessoal
Além disso, o transporte da medicação exige refrigeração constante para manter sua eficácia até a chegada às unidades de atendimento. Jean Martins faz um alerta sobre o quão delicada é essa logística, destacando que “os soros líquidos precisam ser mantidos, em geral, entre 2 °C e 8 °C, sem congelamento. Isso exige refrigeração contínua durante armazenamento e transporte, além de acompanhamento de validade, consumo e reposição”.
Superar os desafios de transporte e capacitar as equipes médicas para a identificação correta dos casos são passos vitais para garantir que o antídoto chegue a tempo aos pacientes.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Daniel Lima.

