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Chapa "puro-sangue" de Flávio ganha força na reta final das convenções

PL lança Flávio Bolsonaro ao Planalto sob pressão por vice e alianças
LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova

A uma semana do fim das convenções partidárias, o Partido Liberal ainda não conseguiu resolver um dos principais impasses da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência: a escolha do candidato a vice-presidente.

Sem avanços nas negociações para atrair aliados, cresce nos bastidores a avaliação de que o senador poderá disputar o Palácio do Planalto em  chapa formada exclusivamente por integrantes do PL, a chamada chapa “puro-sangue”.

A legenda tem até a próxima quarta-feira (5/8) para definir a composição da chapa. A estratégia inicial era usar a vaga de vice como principal moeda de negociação para atrair partidos do Centrão para a coligação, mas as conversas não prosperaram.

O isolamento político de Flávio, aliado às dificuldades para ampliar o diálogo com dirigentes dessas siglas e conquistar parte do eleitorado moderado, reduziu as chances de uma aliança. Nos bastidores, dirigentes de partidos que chegaram a negociar apoio avaliam que a campanha não conseguiu criar ambiente favorável para composição.

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do Metrópoles

As negociações se concentram em União Brasil, PP, Republicanos e Podemos. No caso de União Brasil e PP, que integram uma federação, a tendência é não apoiar nenhum candidato à Presidência e deixar que os diretórios estaduais decidam quem apoiar.

O Podemos ainda não definiu qual caminho seguirá. A convenção nacional da sigla está marcada para o próximo domingo (2/8), mas, segundo integrantes do partido, a tendência também é pela neutralidade.

Já o Republicanos é a legenda da favorita de Flávio para a vaga de vice: a ex-presidente da Caixa Daniella Marques. Ela participa da elaboração do programa econômico da campanha e coordenou a construção de propostas voltadas ao eleitorado feminino. A indicação de Daniella, no entanto, depende da aliança com o partido, que também sinaliza a intenção de permanecer fora da disputa presidencial. A convenção que definirá a posição da legenda está marcada para a próxima terça-feira (4/8).

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Os partidos têm até 5 de agosto para definir os candidatos e fechar alianças. Depois das convenções, poderão registrar as candidaturas na Justiça Eleitoral. O prazo para o registro termina em 15 de agosto. A propaganda eleitoral começa no dia seguinte, 16 de agosto.

Se nenhuma sigla aceitar integrar a coligação de Flávio até o fim das convenções, caberá ao próprio PL indicar o vice. Segundo interlocutores do partido, nesse caso, a palavra final será do senador.

O desafio das alianças de Flávio

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Enquanto mantém as negociações abertas, o partido já discute internamente quem seria o nome mais competitivo para integrar eventual chapa exclusivamente formada por filiados da legenda.

Flávio tem defendido que a vaga seja ocupada por uma mulher, em  estratégia para ampliar seu desempenho entre o eleitorado feminino, considerado um dos principais gargalos da campanha.

Nos últimos dias, uma ala do partido passou a defender a deputada federal Priscila Costa (PL), que, até o momento, é candidata à reeleição. A parlamentar esteve no centro do embate público entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Michelle defendia que Priscila disputasse uma das vagas ao Senado pelo Ceará. Flávio, por sua vez, apoiou a decisão do diretório estadual de lançar Alcides Fernandes ao Senado e firmar aliança com Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo cearense.

O episódio levou Michelle a romper publicamente com o enteado e renunciar ao comando do PL Mulher. Os dois se reconciliaram na última semana.

Dirigentes do PL afirmam que Priscila reúne características consideradas estratégicas para a campanha: é mulher, nordestina e religiosa. Apesar disso, segundo integrantes da legenda, pesquisas internas indicam que o nome dela não agregou nem impulsionou o desempenho eleitoral de Flávio.

A proximidade da deputada com Michelle também é um ativo citado por aliados, o que poderia atrair a participação da ex-primeira-dama na campanha presidencial. Apesar disso, o desgaste no diretório do Ceará é lembrado pelo entorno de Costa, que trata de uma campanha diferente da reeleição à Câmara como página virada.

Ao Metrópoles, Priscila Costa disse que seu foco está no projeto de reeleição e que tem buscado revisitar as bases no interior do estado. Ela ainda negou ter recebido qualquer convite para ser candidata a vice-presidente de Flávio Bolsonaro.

Outro grupo do partido defende a indicação do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial. Seus apoiadores argumentam que ele tem a confiança do ex-presidente Jair Bolsonaro, de quem foi ministro, além de capilaridade no Nordeste.

Também circulam entre integrantes da campanha nomes como o da deputada Júlia Zanatta (PL-SC), defendida pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Nos bastidores, porém, Zanatta é vista como um nome mais identificado com a ala ideológica do partido, o que poderia dificultar a aproximação com eleitores moderados.

Dirigentes do Centrão fazem avaliação semelhante. Ao Metrópoles, um cacique do União Brasil afirmou que a “simples menção” ao nome da parlamentar demonstra que a campanha de Flávio “não quer vencer”.

Outros nomes citados nas discussões internas são os das deputadas federais Greyce Elias (PL-MG) e Bia Kicis (PL-DF). Nesta semana, o senador Marcos Pontes (PL-SP) também colocou seu nome à disposição para disputar a Vice-Presidência.

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Priscila Costa é vereadora do PL de Fortaleza (CE)

Reprodução/redes sociais2 de 6

O líder da oposição Rogério Marinho

Luis Nova/ Especial Metrópoles @LuisGustavoNova3 de 6

Júlia Zanatta em encontro com lideranças femininas conservadoras

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto4 de 6

Deputada Greyce Elias

Bruno Spada/Câmara dos Deputados5 de 6

Bia Kicis comenta vídeo de Pabllo Vittar

Reprodução Instagram @biaKicis6 de 6

Senador Marcos Pontes

Fábio Vieira/Metrópoles

A indefinição sobre a vaga se prolongou além do esperado. A expectativa inicial da direção do PL era apresentar a chapa completa durante a convenção que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência, no último sábado (25/7). Sem concluir as negociações com outras legendas, o partido adiou a decisão.

Durante a convenção, os dirigentes decidiram “delegar e outorgar plenos poderes à Comissão Executiva Nacional do Partido Liberal para deliberar sobre proposta de coligação com outros partidos políticos, indicação de candidato(a) ao cargo de Vice-Presidente da República e outras matérias relativas ao processo eleitoral de 2026 em nível nacional, inclusive, eventual cancelamento de candidatura ou anulação de convenção”.

Na prática, a medida permite que a executiva nacional defina, até o fim do prazo das convenções, tanto a composição da chapa quanto eventuais alianças, sem a necessidade de convocar nova convenção partidária.

A preferência por uma candidata a vice ganhou ainda mais peso após pesquisas internas e levantamentos de opinião indicarem dificuldades de Flávio entre o eleitorado feminino. A crise com Michelle Bolsonaro reforçou a preocupação da campanha, que passou a tratar esse segmento como uma das principais prioridades para reduzir a rejeição ao senador.

Apesar da trégua, Michelle e Flávio ainda não se falaram pessoalmente ou por telefone. O primeiro encontro deverá se dar durante este fim de semana, mediado pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que é o principal fiador da resolução do conflito intrafamiliar. O cacique está fora do Brasil, e deverá retornar na quinta-feira para costurar os últimos arranjos para a consolidação da candidatura.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Kevin Lima.

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