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Ciclone bomba: tempestade de grande escala gira e pode ter quilômetros

Ciclone bomba: tempestade de grande escala gira e pode ter quilômetros
Divulgação/Nasa

A possibilidade de formação de um ciclone bomba entre a Argentina, o Uruguai e o Sul do Brasil chamou atenção nos últimos dias. Apesar do nome, o fenômeno não envolve explosões. Trata-se de um ciclone extratropical que passa por uma intensificação muito rápida, aumentando o potencial para temporais, rajadas de vento e queda de granizo.

Segundo o professor Micael Cecchini, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), apoiado pelo Instituto Serrapilheira, antes de entender o que é um ciclone bomba é preciso saber o que caracteriza um ciclone.

“Um ciclone é um sistema meteorológico de grande escala, que pode se estender por centenas ou até milhares de quilômetros. Sua principal característica é a rotação”, explica.

No Brasil, os ciclones que atuam são do tipo extratropical e subtropical. Eles se formam quando massas de ar frio e quente se encontram, criando um forte contraste de temperatura que favorece a queda da pressão atmosférica e o desenvolvimento do sistema.

Quais estados devem ser mais afetados

O que faz um ciclone extratropical virar um ciclone bomba

A diferença entre um ciclone extratropical comum e um ciclone bomba está na velocidade com que ele se intensifica.

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do Metrópoles

“O que diferencia um ciclone comum de um ciclone bomba é a intensidade desse processo. Quando o contraste de temperatura é muito maior, a circulação atmosférica em altitude se fortalece e faz com que a pressão na superfície caia mais rapidamente”, afirma Cecchini.

Existe, inclusive, um critério técnico para essa classificação. Em regiões próximas a 60 graus de latitude, um ciclone é considerado bomba quando a pressão atmosférica diminui pelo menos 24 milibares em um período de 24 horas. Para a população, essa rápida intensificação significa maior potencial para a ocorrência de chuva forte, ventos intensos, granizo e queda acentuada das temperaturas após a passagem do sistema.

Por que o Sul é a região mais afetada?

Cecchini explica que esse tipo de ciclone sempre atinge primeiro a Região Sul porque se forma em latitudes mais elevadas e avança em direção ao norte.

“O principal impacto costuma ocorrer no Sul. Em alguns casos, os efeitos podem alcançar o Sudeste e até áreas do Centro-Oeste, mas, à medida que o ciclone avança, ele pode perder intensidade ou seguir em direção ao oceano”, pontua.

O pesquisador ressalta ainda que ciclones bomba não são fenômenos frequentes. “Foi necessário criar uma definição específica justamente para identificar eventos que exigem um nível de atenção particularmente elevado. Portanto, eles não são comuns”, conclui.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Ravenna Alves.

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