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Clientes reagem após prisão de sócios do Naskar: "Que sigam o dinheiro"

Naskar: investigação põe em xeque gestora que prometeu salvar clientes
Imagem gerada por IA

Após a prisão de três ex-sócios da Naskar Gestão de Ativos Ltda e da autorização do bloqueio de bens ligados aos envolvidos com a fintech, clientes que tinham valores investidos na empresa disseram que aguardam pelo ressarcimento o mais rápido possível.

Um depoimento conjunto, enviado ao Metrópoles em nome de um grupo com mais de 100 vítimas, afirmou que as prisões são importantes. “Mas cadeia sem dinheiro de volta para as vítimas é notícia, não é justiça. Prender três pessoas não faz o dinheiro voar de volta para a nossa mão. Não somos ingênuos”, disse o comunicado.

O desejo das vítimas é que as autoridades “sigam esse dinheiro até o fim”.

“Se for preciso investigar 500 pessoas, uma por uma, para descobrir onde ele foi parar, é isso que terá que ser feito. Não dá para escolher três nomes e fingir que tudo começou e terminou neles”, avaliou o texto.

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O grupo ressaltou querer saber quem recebeu, quem escondeu, quem lucrou e quem ajudou a convencer as pessoas a colocar cada vez mais dinheiro na Naskar. “Diziam que o risco era baixíssimo e falavam em CVM e FGC. Depois, muitos bloquearam os clientes e desapareceram”, desabafou.

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A nota também citou Douglas Silva de Oliveira, 26 anos, que comprou a fintech logo após o escândalo. “Ele vai continuar solto e debochando em Dubai?”, questionou. “Não queremos apenas ver gente algemada, mas o dinheiro localizado, bloqueado e devolvido, porque esse dinheiro não é deles. Nunca foi. É nosso”, cravou.

O comunicado é encerrado com uma pergunta às autoridades que investigam o caso: “Depois de tanta demora, vocês não nos devem uma investigação até o fim, respostas concretas e, acima de tudo, a localização do nosso dinheiro?”

“Mau-caráter”

Outro cliente da Naskar, que não quis se identificar, chamou os ex-sócios de “mau-caráter”. “A partir do momento que os donos da Naskar se omitiram e se esconderam da gente, a sensação é nítida da falta de caráter deles”, pontuou. Perguntado sobre a perspectiva de receber o dinheiro de volta, ele disse que “é mínima”.

“Uma pessoa sem caráter não paga o que deve, é simples assim. A confiança, hoje, é que a Justiça faça o bloqueio devido do patrimônio dos sócios e que a gente consiga reaver nosso recurso ou pelo menos parte dele, o que já seria um alívio”, comentou.

O advogado Murilo Bueno, que representa alguns clientes da Naskar que investiram cerca de R$ 2 milhões na fintech investigada, disse que ajuizou uma ação requerendo a rescisão contratual, a restituição integral dos valores investidos (acrescidos dos juros prometidos) e a responsabilização de todos os envolvidos na estrutura operacional.

Segundo o defensor, foram solicitadas medidas cautelares de arresto para preservação do patrimônio dos envolvidos. “Contudo, em análise preliminar, a Justiça indeferiu o pedido liminar por entender que a medida é excepcional e exige a prévia citação dos réus e a garantia do contraditório”, comentou.

Porém, no entendimento do advogado, a urgência se justifica. “Sobretudo após as recentes prisões dos ex-sócios e o bloqueio de mais de R$ 75 milhões nas contas do sócio mais recente”, avaliou.

“O processo segue seu curso regular e o escritório já interpôs os recursos cabíveis para reverter a decisão. Permanecemos confiantes na Justiça e firmes na adoção de todas as medidas necessárias para reaver os valores e responsabilizar os autores desse golpe”, ressaltou Murillo.

Entenda o caso

Prisão e bloqueio

Rogério Vieira, José Maurício Volpato e Marcelo Liranco Arantes foram presos nessa quarta-feira (22/7) em São Paulo, durante uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), confome revelou a coluna de Mirelle Pinheiro. O trio não resistiu durante o momento da abordagem e optou por ficar em silêncio durante o depoimento.

Além das prisões, a Justiça autorizou o bloqueio de contas ligadas à Naskar. Veja quem e quais empresas tiveram as contas bloqueadas:


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Arthur de Souza.

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