A quinta-feira (23/7) será marcada pelo avanço de uma frente fria e pela atuação contínua do El Niño, que segue modulando os padrões climáticos no país. Após dias de instabilidade severa, o Sul registra um alívio temporário nas precipitações com o deslocamento do sistema frontal em direção ao Sudeste.
Enquanto o ar frio ganha espaço no extremo sul do território nacional, o interior do Brasil Central permanece sob o domínio de uma intensa massa de ar seco e quente, reforçando o contraste típico do período.
Na Região Sul, o tempo começa a estabilizar na maior parte do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná, embora a circulação marítima ainda garanta pancadas isoladas no litoral. A frente fria mantém condições para chuva moderada a forte no extremo norte paranaense logo cedo, mas a principal mudança fica por conta da entrada de uma massa de ar polar.
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O sistema derruba as temperaturas ao longo do dia, trazendo um clima mais ameno e padrão de inverno para os três estados após a passagem dos temporais.
No Sudeste, o enfraquecimento do bloqueio atmosférico permite que a frente fria finalmente avance sobre São Paulo, espalhando instabilidades e risco de temporais pelo oeste, sul e Região Metropolitana. O estado do Rio de Janeiro e o extremo sul de Minas Gerais sentem a virada do tempo no fim do dia, com queda nas temperaturas e aumento da nebulosidade.
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do Metrópoles
O Centro-Oeste apresenta duas realidades bem distintas sob a influência da dinâmica atmosférica atual. Em Mato Grosso do Sul, a frente fria provoca pancadas de chuva de forte intensidade acompanhadas de trovoadas, promovendo um alívio no calor e queda na temperatura do centro-sul ao sudoeste do estado.
Estiagem severa
Em contrapartida, Goiás, Distrito Federal e o leste de Mato Grosso seguem sob estiagem severa, registrando umidade relativa do ar em patamares de emergência — entre 12% e 20% —, o que eleva drasticamente o risco de queimadas.
A Região Nordeste permanece com a divisão clássica impulsionada pelo El Niño e a circulação dos ventos úmidos. A faixa litorânea, do norte baiano ao Rio Grande do Norte, sofre com os efeitos de Distúrbios Ondulatórios de Leste, que trazem elevado potencial para acumulados expressivos de chuva e temporais entre Pernambuco e o litoral potiguar.
Na Região Norte, a quinta indica uma ligeira redução na cobertura de chuva em relação aos dias anteriores, embora o calor e a umidade amazônica continuem alimentando pancadas fortes no sul do Amapá, oeste do Amazonas e litoral do Pará. O Acre também volta a registrar aumento nas precipitações.
Em termos globais, este cenário reflete diretamente a presença do El Niño, que atua amplificando os extremos climáticos da estação no Brasil. O fenômeno retém parte da energia no Atlântico e no Pacífico, favorecendo o bloqueio do ar seco no interior e potencializando o contraste entre as frentes frias no Sul/Sudeste e as ondas de calor no Centro-Norte.
Diante desse quadro de baixíssima umidade no interior e chuva intensa na faixa litorânea do Nordeste e em São Paulo, autoridades reforçam os alertas para cuidados com a saúde e atenção no trânsito.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Carlos Estênio Brasilino.

