O deputado estadual Clodoaldo Rodrigues (Progressistas) foi condenado a 9 anos e 5 meses de prisão por crimes relacionados à compra de votos no Acre durante as eleições de 2022. A decisão da 4ª Zona Eleitoral de Cruzeiro do Sul também condenou a esposa do parlamentar, Delcimar Leite (PL), atual vice-prefeita do município, a 8 anos de reclusão.
A sentença, publicada nesta sexta-feira (4), reconheceu a existência de uma estrutura organizada para a prática de crimes eleitorais durante a campanha. Segundo a Justiça, Clodoaldo era o principal articulador e beneficiário do esquema, enquanto Delcimar atuava na coordenação da campanha e na organização e distribuição de recursos.
Os dois foram condenados por associação criminosa, corrupção eleitoral e transporte irregular de eleitores. Durante a investigação da Polícia Federal, foram apreendidos R$ 10,1 mil em dinheiro na residência onde o casal vivia, principalmente em notas de R$ 50, além de documentos, listas de lideranças e anotações relacionadas à distribuição de valores e ao uso de veículos no dia da eleição.
Um dos principais episódios ocorreu em 2 de outubro de 2022, no primeiro turno. José Francisco França da Silva foi preso em flagrante enquanto transportava eleitores. No veículo foram encontrados materiais de campanha de Clodoaldo. Uma das eleitoras afirmou ter recebido R$ 50 para votar no candidato e que receberia mais R$ 50 após a votação.
Além do casal, José Odecir de Souza foi condenado a 1 ano e 9 meses de reclusão por associação criminosa, enquanto José Francisco França da Silva recebeu pena de 2 anos e 9 meses. Iago da Silva Leite Ribeiro, filho de Delcimar e enteado de Clodoaldo, foi absolvido por insuficiência de provas.
Clodoaldo deverá cumprir inicialmente a pena em regime fechado e também recebeu 236 dias-multa. Delcimar foi condenada a 8 anos, em regime inicialmente semiaberto, além de 211 dias-multa.
A sentença não determinou a perda imediata dos mandatos de Clodoaldo e Delcimar. A Justiça considerou que os atuais cargos foram conquistados em eleições posteriores aos fatos analisados no processo. Após o trânsito em julgado, porém, deverão ser adotadas as medidas legais relacionadas à suspensão dos direitos políticos.
Os condenados poderão recorrer em liberdade. A decisão ainda pode ser contestada no Tribunal Regional Eleitoral do Acre e nas instâncias superiores.

