As contas públicas registraram déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (31) pelo Banco Central. Quando são incluídas as despesas com juros da dívida pública, o rombo acumulado em 12 meses alcança R$ 1,32 trilhão, equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB).
O déficit primário acontece quando as despesas do setor público superam a arrecadação de impostos e tributos. O cálculo engloba governo federal, estados, municípios e empresas estatais, mas não considera os juros da dívida pública.
Na comparação com junho do ano passado, houve piora no resultado fiscal. Em junho de 2025, o déficit havia sido de R$ 47,1 bilhões.
Governo federal puxou resultado negativo
De acordo com o Banco Central, o desempenho das contas públicas em junho foi dividido da seguinte forma:
- Governo federal: déficit de R$ 47,2 bilhões;
- Estados e municípios: déficit de R$ 6,6 bilhões;
- Empresas estatais: déficit de R$ 1,47 bilhão.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, o saldo negativo chegou a R$ 80,2 bilhões, o equivalente a 1,2% do PIB.
No mesmo período de 2025, havia sido registrado superávit de R$ 22 bilhões.
Meta fiscal segue pressionada
A meta fiscal estabelecida pelo governo para 2026 prevê um superávit de 0,25% do PIB, equivalente a aproximadamente R$ 34,3 bilhões.
Pelas regras do arcabouço fiscal, o resultado será considerado cumprido caso as contas terminem o ano com saldo zero ou superávit de até R$ 68,6 bilhões.
No entanto, a previsão oficial já admite a possibilidade de déficit próximo de R$ 52 bilhões após a exclusão de despesas autorizadas pela legislação, como o pagamento de precatórios.
Dívida pública e juros ampliam rombo
Quando entram na conta os juros da dívida pública, o chamado resultado nominal apresenta um cenário ainda mais preocupante.
Somente em junho, o déficit nominal foi de R$ 166 bilhões. No acumulado dos últimos 12 meses, o rombo atingiu R$ 1,32 trilhão, equivalente a 10% do PIB brasileiro.
Segundo o Banco Central, as despesas com juros somaram R$ 1,16 trilhão nos últimos 12 meses, representando 8,8% do PIB.
Economistas alertam que o aumento da dívida pública e os elevados gastos com juros podem pressionar ainda mais as contas do país nos próximos anos.

