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Crise no STF vira "ganha-ganha" para Flávio Bolsonaro, avaliam aliados

"Assumam que estão ferrados": a troca de zap entre Gilmar e Kassio Nunes
Alejandro Zambrana/STF

A campanha do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, acompanhou de perto nessa terça-feira (15/9) a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que começou a discutir o relatório da Polícia Federal com supostas conversas entre Alexandre de Moraes e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O julgamento foi marcado por bate-bocas e acusações entre ministros e terminou interrompido por um pedido de vista de Flávio Dino.

Aliados avaliam que as divisões expostas no Supremo interessam a Flávio Bolsonaro num momento em que o candidato aumentou os ataques à Corte e, principalmente, a Moraes. A campanha tenta associar o ministro ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e acredita que o desgaste do STF pode respingar no petista.

Os ministros não chegaram a decidir sobre a validade do relatório. Dino pediu mais tempo para analisar o caso depois de horas de discussão sobre se o material deveria ser julgado separadamente ou junto com outro caso envolvendo André Mendonça.

Esse segundo material, que deve ser analisado na próxima quarta (23/9), foi enviado pelo próprio Moraes ao presidente do STF, Edson Fachin, e questiona a atuação de Mendonça em investigações relacionadas ao Banco Master. Alexandre de Moraes acusa o colega de dar tratamento político a casos sob sua responsabilidade.

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A discussão interessa à campanha também pelo papel de Mendonça. Indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro, pai de Flávio, o ministro tem sido defendido por aliados do ex-presidente pela condução das investigações sobre o Master.

Ao mesmo tempo, é responsável no STF por uma apuração que atinge o próprio candidato do PL: a investigação sobre o financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro para o qual Flávio pediu dinheiro a Vorcaro.

Gilmar Mendes, Moraes e Cristiano Zanin votaram pela análise conjunta dos casos que envolvem as condutas de André Mendonça e Alexandre de Moraes. Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram pela análise separada. Após o pedido de vista de Dino, o placar ficou em 4 a 3, e o caso envolvendo Moraes ficou sem data para voltar ao plenário.

Como Moraes entrou na campanha de Flávio

Ganha-ganha

A discussão sobre como os casos deveriam ser julgados abriu espaço para uma série de embates. Dino criticou a condução dos trabalhos por Fachin e chamou a sessão de “desastrada”. Gilmar Mendes e André Mendonça também trocaram acusações.

Uma das falas que mais chamou a atenção no entorno de Flávio veio de Cármen Lúcia. A ministra disse estar em estado de “profunda consternação e tristeza” e afirmou que o Supremo provocou um “mal-estar cívico” no país nos últimos dias.

Aliados do candidato receberam a declaração como um reconhecimento, vindo de dentro do próprio Supremo, de problemas que Flávio já vinha explorando na campanha.

O senador tem concentrado os ataques em Alexandre de Moraes. Flávio Bolsonaro tem chamado o ministro de “laranja podre” do Supremo e passou a defender a sua renúncia. A associação também apareceu na propaganda eleitoral de Flávio nessa terça, enquanto o STF discutia o caso.

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Sessão do STF que decide se Alexandre de Moraes será investigado

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Sessão do STF que decide se Alexandre de Moraes será investigado

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Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) ministro Edson Fachin

Reprodução/ TV Justiça 5 de 5

O plenário do Supremo Tribunal Federal

Alejandro Zambrana/STF

Integrantes da campanha dizem não enxergar um desfecho do caso Moraes necessariamente ruim para Flávio. Na avaliação de aliados do candidato, se as apurações contra Moraes avançarem, Flávio Bolsonaro ganhará mais espaço para cobrar explicações do ministro sobre a relação com Vorcaro.

Por outro lado, se os membros da Corte decidirem invalidar o relatório da PF for invalidado ou encerrar o caso, o entorno do senador avalia que há espaço para elevar o tom contra o Supremo, pregar uma imagem de que Flávio é o candidato “antissistema” e acusar o STF de proteger os próprios integrantes.

Aliados de Flávio também avaliam que os bate-bocas, as divisões entre os ministros e o desgaste de Moraes ajudam a manter o assunto na campanha e podem atingir Lula.

A avaliação ocorre num momento em que o bolsonarismo comemora a pesquisa Quaest, divulgada na segunda (14/9), que mostrou Flávio com 42% e Lula com 40% em uma simulação de segundo turno. Foi a primeira vez que o senador apareceu numericamente à frente do presidente nesse recorte da pesquisa. Os dois seguem empatados dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Kevin Lima.

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