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Crítica: novo “Marsupilami” diverte a família, mas falha no besteirol

Crítica: novo “Marsupilami” diverte a família, mas falha no besteirol

Crítica: novo “Marsupilami” diverte a família, mas falha no besteirol

Fenômeno na Europa, comédia chega aos cinemas apostando em criatura animatrônica fofa para conquistar as crianças

*As informações contidas neste texto são de responsabilidade dos colunistas e não expressam necessariamente a opinião do portal LeoDias.

Cena de “Marsupilami” (Crédito: Reprodução Paris Filmes)

Quem foi criança nas décadas de 1990 e 2000 com certeza se lembra de ligar a televisão nas manhãs e tardes do SBT para acompanhar as aventuras de um carismático bicho amarelo, com manchas de leopardo e uma cauda gigantesca. É apostando em peso nessa memória afetiva que “Marsupilami: Confusão a Bordo”, com estreia marcada nos cinemas brasileiros para esta semana, sob distribuição da Paris Filmes, aterrissa por aqui.

Comandado por Philippe Lacheau (que atua na direção, no roteiro e assume o papel principal), o longa se consolidou como um fenômeno de bilheteria na Europa. Por lá, foram vendidos mais de seis milhões de ingressos e esse se tornou um dos maiores sucessos financeiros da história recente do cinema francês, contrariando o massacre que sofreu da crítica especializada.

Veja as fotos

Cena de “Marsupilami”Crédito: Reprodução Paris Filmes Cena de “Marsupilami”Crédito: Reprodução Paris Filmes Cena de “Marsupilami”Crédito: Reprodução Paris Filmes Cena de “Marsupilami”Crédito: Reprodução Paris Filmes Cena de “Marsupilami”Crédito: Reprodução Paris Filmes Cena de “Marsupilami”Crédito: Reprodução Paris Filmes

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O portal LeoDias já assistiu ao filme e percebeu que fica fácil entender essa divisão: a obra acerta em cheio como um entretenimento honesto e fofo para assistir com as crianças, mas tropeça feio sempre que tenta ser um longa adulto apelando para piadas de duplo sentido.

A premissa não inventa a roda e recicla a clássica fórmula de comédia de erros. Para salvar seu emprego em um zoológico decadente, o funcionário David (Lacheau) aceita o trabalho sujo de contrabandear uma caixa misteriosa da América do Sul. Para disfarçar a operação, ele convida a ex-mulher (Élodie Fontan) e o filho para uma viagem de reconciliação em um cruzeiro de luxo.

O caos é instaurado quando seu colega de trabalho desastrado abre a embalagem e liberta um filhote de Marsupilami pelo navio. O grande trunfo da produção é, sem a menor dúvida, a própria criatura. Evitando a computação gráfica em 100% das cenas, a direção apostou no uso de um boneco animatrônico real interagindo com os atores na maior parte do tempo, usando efeitos visuais apenas nas acrobacias.

Essa escolha traz um peso, uma textura de pelagem e uma expressividade que deixam o bichinho absurdamente fofo e real. Sempre que o bebê amarelo aparece na tela, seja dando nós com seus sete metros de cauda para fugir dos vilões ou recriando um hilário golpe “Kamehameha”, em referência ao clássico anime “Dragon Ball Z”, o filme brilha e conquista o público.

Roteiro se perde entre sessão da tarde e piadas picantes

Se o visual é bom e a dinâmica pastelão arranca risadas fáceis dos pequenos em um ritmo ágil de 99 minutos, o roteiro assinado a oito mãos sofre de uma grave crise de identidade. O filme é vendido como uma aventura familiar para as férias escolares, mas a trupe de comediantes de Lacheau (conhecida na França como Bande à Fifi) não resiste à tentação de injetar o seu característico besteirol adolescente na trama.

O longa erra o tom ao misturar o encanto infantil com escatologias, insinuações sexuais desnecessárias e trocadilhos infames focados em partes íntimas, que soam completamente deslocados para os pais que estão na sala com os filhos. Além disso, a história acaba usando o próprio Marsupilami apenas como um mero acessório de luxo para justificar uma sucessão de esquetes. Assim, a criatura fica com muito menos tempo de tela do que o título promete e esvaziando a mensagem de preservação ecológica tão rica nos quadrinhos originais de André Franquin.

O veredito para o público brasileiro

Para o espectador no Brasil, o saldo da experiência tende a ser mais positivo do que na Europa. A nossa relação com o personagem não vem do rigor literário dos quadrinhos belgas, mas sim da dublagem brasileira e do humor escrachado que nos acostumamos a ver em clássicos da nossa TV.

A equipe de dublagem local, como sempre, faz um trabalho cirúrgico ao adaptar referências e resgatar o tom nostálgico que o público esperava. No fim das contas, “Marsupilami: Confusão a Bordo” é um filme ok, simpático e com um protagonista digitalmente bom, que cumpre com louvor a missão de ser uma opção de entretenimento descompromissada e colorida para o fim de semana em família. É só alinhar as expectativas: vá pela fofura, releve o roteiro raso e perdoe as piadas mais adultas que tentam atirar para todos os lados.

Nota: 6,5/10

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Henrique Carlos.

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