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Cuidador expõe conflitos de Maradona com médico antes de morrer: “Chegava a cuspir”

Cuidador expõe conflitos de Maradona com médico antes de morrer: “Chegava a cuspir”

Cuidador expõe conflitos de Maradona com médico antes de morrer: “Chegava a cuspir”

Aníbal Domínguez relatou em julgamento que ex-jogador tinha dificuldades para se alimentar, apresentava incontinência e expulsava o médico de casa

Maradona (Crédito: Reprodução)

Os últimos dias de Diego Maradona foram marcados por dificuldades de saúde e conflitos com integrantes da equipe que acompanhava sua recuperação. Em depoimento durante o julgamento que apura a responsabilidade dos profissionais que cuidaram do ex-jogador, Aníbal Domínguez, que trabalhou como cuidador do ídolo argentino, descreveu a relação conturbada entre Maradona e seu médico pessoal, Leopoldo Luque.

O ex-jogador morreu em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, enquanto recebia atendimento domiciliar após uma cirurgia no cérebro. A causa da morte foi uma parada cardiorrespiratória associada a um edema pulmonar. O processo ocorre em San Isidro, na província de Buenos Aires, na Argentina, e busca determinar a eventual responsabilidade dos profissionais envolvidos no acompanhamento de Maradona.

Veja as fotos

MaradonaCrédito: Reprodução MaradonaCrédito: Reprodução MaradonaCrédito: Reprodução Maradona e “a mão de Deus” em 1986Crédito: Reprodução

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Domínguez afirmou que trabalhou com o ex-jogador desde 2015 e permaneceu na casa onde ele se recuperava por aproximadamente uma semana, até 22 de novembro. Segundo o cuidador, naquele período Maradona apresentava retenção de líquidos, inchaço, se alimentava pouco e passava longos períodos na cama.

Relação conturbada com Luque

Durante a audiência, Domínguez relatou que Maradona tinha dificuldades para realizar tarefas básicas e que seu comportamento havia se tornado mais agressivo. O cuidador afirmou que era difícil convencê-lo a levantar, tomar banho ou se alimentar.

“Diego estava de mau humor, tratava todo mundo mal”, disse o cuidador. Na sequência, ele descreveu os problemas enfrentados pelo ex-jogador para chegar ao banheiro: “Ele fazia as necessidades nas roupas, não conseguia chegar ao banheiro”.

Domínguez também afirmou que mantinha contato frequente com Luque e chegou a pedir que o médico fosse até a residência para avaliar Maradona. “Ele tinha que vir e não vinha”, declarou.

Segundo o relato apresentado no tribunal, a relação entre Maradona e Luque era marcada por discussões. O cuidador contou que o ex-jogador chegou a expulsar o médico de casa, mas o profissional retornava posteriormente para tentar conversar com ele. “Diego estava recém-operado, então tinha que haver alguém responsável ali. Luque era o médico e amigo dele; ele expulsava o Luque, chegava a cuspir nele, e Luque esperava um pouco, voltava, e eles conversavam”, contou o cuidador.

Abstinência e tremores

Durante a audiência, também foram reproduzidas gravações de áudio de conversas entre Domínguez e Luque. Em uma delas, registrada em 20 de novembro, o cuidador informou que Maradona estava “perdido e tinha tremores”.

Na conversa, os sintomas foram associados à abstinência alcoólica. Ainda assim, segundo Domínguez, o ex-jogador pediu para sair de carro naquela mesma noite, e o cuidador o acompanhou.

O profissional também explicou que pessoas próximas evitavam contrariar Maradona diante das reações que ele poderia apresentar. “Não se podia entrar em conflito com Diego e dizer ‘não’ a ele, porque era pior, ele explodia (…) Diego era o chefe”, afirmou.

Sete profissionais são julgados

Leopoldo Luque é o principal réu do processo, que também envolve outros seis profissionais de saúde. Todos são acusados de homicídio com dolo eventual, modalidade que considera a possibilidade de que os envolvidos tenham previsto que suas ações ou omissões poderiam contribuir para a morte do paciente.

Os sete profissionais negam responsabilidade pelo falecimento de Maradona. O depoimento de Domínguez foi apresentado diante de familiares do ex-jogador, incluindo suas filhas Dalma e Gianinna Maradona. O julgamento segue em San Isidro, a cerca de 26 quilômetros de Buenos Aires.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Guilherme Silva.

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