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Cury mostra que "fenômeno Marçal" não será repetido facilmente

Cury mostra que "fenômeno Marçal" não será repetido facilmente
Igo Estrela/Metrópoles

O “fenômeno” Pablo Marçal nas eleições municipais de 2024 deu, para muitos partidos nanicos, a falsa impressão de que popularidade nas redes sociais poderia se traduzir automaticamente em resultado positivo em uma eleição majoritária. Agora, Augusto Cury (Avante) confirma que não é bem assim.

Candidato ao Palácio do Planalto, o escritor ostenta 8,3 milhões de seguidores no Instagram. É menos do que os 13,1 milhões de Marçal, mas ainda um número expressivo. Também fica abaixo de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que tem mais de 10 milhões cada.

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O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante)

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Pablo Marçal está inelegível até 2032

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O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante)

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Pablo Marçal foi candidato à Prefeitura de São Paulo

Danilo M. Yoshioka/ Especial Metrópoles

Mas qual o motivo leva Cury a não crescer nas pesquisas como Marçal?

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da Coluna Igor Gadelha

Cury e Marçal até guardam certa semelhança em seus discursos: uma espécie de “teologia da prosperidade” secularizada para millennials pouco ligados a tradições religiosas, mas decepcionados com seus rumos profissionais. Ambos oferecem, cada um à sua maneira, a ideia de que o indivíduo pode superar suas limitações e mudar o próprio destino.

Mas existe uma diferença fundamental entre os dois: Marçal conseguiu transformar audiência em identidade política.

Em uma eleição que se desenhava polarizada entre um nome de esquerda (Guilherme Boulos) e um representante do Centrão que flertava com o bolsonarismo (Ricardo Nunes), Marçal se colocou como a voz dos revoltados “contra tudo isso que está aí”.

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O ex-coach capitalizou a insatisfação de seus seguidores como um canhão direcionado a seus adversários, que representavam, justamente, duas correntes que dominaram a política nacional desde a redemocratização.

Marçal não oferecia apenas conteúdo para sua audiência. Oferecia um inimigo, um conflito e a sensação de que seus seguidores faziam parte de uma batalha contra a “velha política”.

Foi assim que o então candidato do PRTB à Prefeitura de São Paulo bagunçou o jogo. A cada debate, atraía a atenção popular, que queria saber o que o “poltergeist” Marçal faria contra seus adversários. Rolou até cadeirada.

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O ex-coach Pablo Marçal

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Pablo Marçal

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Pablo Marçal está inelegível até 2032

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Pablo Marçal diz ter se arrependido de live com Boulos em 2014

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

Cury, por outro lado, entrou como representante do Avante na eleição nacional mantendo uma aura pacificadora. Escreveu até uma carta a Lula e Flávio pedindo união. Seu discurso pode dialogar com uma parcela do público que busca prosperidade pessoal, mas tem dificuldade para produzir o mesmo tipo de mobilização política que Marçal conseguiu.

E aí está a diferença entre ter audiência e ter eleitorado. Cury tem milhões de pessoas dispostas a acompanhá-lo nas redes sociais. Marçal conseguiu convencer uma parcela de seus seguidores de que também havia uma razão política para acompanhá-lo nas urnas. Não se trata, portanto, apenas de ser famoso.

O próprio Marçal, inelegível por decisão da Justiça, tenta voltar ao jogo na disputa presidencial de 2026, mas de forma muito mais contida. Em especial, após flertar abertamente com Flávio Bolsonaro para o pleito e quase se candidatar ao Senado pelo União Brasil, partido que é o Centrão por excelência.

Em resumo: de nada adianta ter um canhão nas redes sociais se falta munição para atrair o eleitorado.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Gustavo Zucchi.

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