O Ministério da Fazenda apresentou nesta terça-feira (22) uma análise sobre o endividamento das famílias brasileiras e apontou que o custo do crédito para as famílias é um dos fatores que pressionam o orçamento, especialmente em modalidades como cartão de crédito rotativo e cheque especial.
A avaliação foi apresentada durante a divulgação do Boletim Macrofiscal de setembro, que reúne projeções e análises sobre a situação econômica e fiscal do país.
Fazenda avalia situação do endividamento
De acordo com Rafael Leão, subsecretário de Política Macroeconômica do Ministério da Fazenda, o nível de endividamento das famílias estaria relativamente estável nos últimos três anos quando comparado a períodos anteriores de expansão mais acelerada do crédito.
Segundo ele, a pressão estaria mais concentrada nas modalidades consideradas mais caras, especialmente aquelas relacionadas ao crédito livre.
“O núcleo do endividamento que é caro incomoda o bolso”, afirmou Leão ao comentar os dados apresentados pela pasta.
O estudo analisou diferentes aspectos do mercado de crédito, incluindo a relação entre crédito e Produto Interno Bruto (PIB), a composição da carteira das famílias e a concentração entre recursos livres e direcionados.
Cartão de crédito e cheque especial
Entre as modalidades citadas pelo Ministério da Fazenda estão o crédito rotativo do cartão, o cartão parcelado e o cheque especial.
Segundo a pasta, essas linhas foram particularmente afetadas pelo ciclo de juros elevados. O subsecretário mencionou que o crédito rotativo estava, no momento da apresentação, em um patamar próximo de 436% ao ano.
A análise apresentada pelo governo indica que a redução do custo dessas modalidades tende a acompanhar um processo de flexibilização da política monetária.
Juros e impacto sobre as famílias
O cenário de juros também aparece no diagnóstico oficial sobre a economia brasileira.
Em publicação do Ministério da Fazenda, o governo aponta que o elevado nível de endividamento das famílias, combinado com juros altos, tem contribuído para a pressão financeira e limitado parte dos ganhos reais de renda observados no mercado de trabalho.
O documento também destaca que o custo elevado do crédito e o maior comprometimento da renda estão entre os fatores associados aos atrasos nos pagamentos.
Projeção para o crescimento da economia
O endividamento das famílias também foi considerado pelo Ministério da Fazenda entre os fatores relacionados à revisão da projeção de crescimento da economia brasileira para 2026.
A estimativa mencionada na apresentação passou de 2,3% para 2% neste ano.
Apesar da revisão, dados divulgados pela própria Fazenda mostram que o PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior, considerando o ajuste sazonal.
Crédito deve continuar no centro do debate econômico
Para o Ministério da Fazenda, acompanhar o comportamento do crédito é importante para avaliar se o país enfrenta uma situação de estresse ou uma expansão excessivamente rápida do endividamento.
A Secretaria de Política Econômica informou que o Boletim Macrofiscal reúne projeções de curto e médio prazo e análises da conjuntura econômica e fiscal.
A discussão ocorre em um momento de mudanças na trajetória dos juros e de atenção aos efeitos do custo do crédito sobre o orçamento das famílias brasileiras.
