Depois do fenômeno, o dilema: Globo não pode errar a substituta de “Avenida Brasil 2”
Se continuação repetir o sucesso de 2012, próxima novela terá de segurar o público; se fracassar, missão será recuperar o horário
*As informações contidas neste texto são de responsabilidade dos colunistas e não expressam necessariamente a opinião do portal LeoDias.
Débora Falabella e Adriana Esteves em cena famosa de “Avenida Brasil” (Reprodução/Globo)
Antes mesmo de “Avenida Brasil 2” estrear, a TV Globo já tem um problema importante para resolver: o que colocar no ar depois dela. A escolha da novela que substituirá a continuação de um dos maiores fenômenos da teledramaturgia brasileira exigirá uma precisão quase cirúrgica. Se a trama de João Emanuel Carneiro repetir o sucesso de 2012, a sucessora receberá um horário aquecido, mas carregará o peso inevitável da comparação. Se a aposta frustrar as expectativas, caberá à próxima produção a missão ainda mais difícil de recuperar o público. Em qualquer um dos cenários, a Globo não pode errar.
O tamanho do desafio está diretamente ligado ao risco que a própria “Avenida Brasil 2” representa. Com estreia oficialmente marcada para janeiro de 2027 e as gravações prestes a começar ainda neste mês de setembro, a continuação é uma aposta de “8 ou 80”. Pode se transformar em um estrondoso sucesso, nos moldes do que ocorreu com o remake de “Pantanal” (2022), ou enfrentar uma tempestade de críticas, como aconteceu com o recente remake de “Vale Tudo” — embora a emissora venha utilizando os números de audiência para rebater as reações negativas à adaptação.
Carla Bittencourt
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Há ainda outro obstáculo: o desgaste da própria marca. Desde 2012, “Avenida Brasil” foi reprisada, exportada, comentada e celebrada à exaustão. Carminha (Adriana Esteves) tornou-se um personagem permanentemente presente no imaginário popular e nas redes sociais. A reprise atualmente no ar reforça ainda mais essa exposição às vésperas da continuação. Se a nova história não trouxer elementos capazes de justificar seu retorno, a nostalgia que hoje funciona como um dos principais ativos do projeto pode se transformar rapidamente em sensação de déjà-vu e saturação.
É justamente por isso que o planejamento do pós-“Avenida Brasil 2” se torna tão importante quanto a própria continuação. Um grande sucesso não significa necessariamente uma herança confortável. Pelo contrário: quem entra depois de um fenômeno costuma enfrentar expectativas infladas, comparações constantes e uma cobrança que nem sempre está relacionada à qualidade da nova produção.
A Globo conhece bem esse problema. Em 2012, “Salve Jorge” teve a ingrata missão de substituir a primeira “Avenida Brasil”. A novela de Gloria Perez estreou sob o peso da comparação com um fenômeno que havia mobilizado o país e enfrentou resistência de parte do público e números inferiores aos da antecessora. Curiosamente, o tempo tratou de mudar parte dessa percepção: hoje, a trama é constantemente lembrada pelos noveleiros, pedida em reprises e aparece entre os títulos revisitados pelo público no Globoplay.
O exemplo serve de alerta porque mostra que uma sucessora pode acabar pagando uma conta que não é exatamente sua. Caso “Avenida Brasil 2” se transforme novamente em febre nacional, a novela seguinte precisará encontrar uma identidade suficientemente forte para não viver à sombra de Carminha e companhia. Não bastará receber uma audiência alta: será necessário impedir que a inevitável comparação produza a sensação de que qualquer resultado abaixo do fenômeno representa fracasso.
O cenário inverso também não é confortável. Se a continuação não corresponder à enorme expectativa criada em torno de seu retorno, apresentar desgaste ao longo dos meses ou provocar rejeição, a substituta terá de chegar com força suficiente para recuperar o horário. Nesse caso, em vez de administrar uma herança positiva, terá a responsabilidade de interromper uma possível curva de queda.
A prudência necessária para essa escolha ajuda a explicar por que os olhos dos bastidores já começam a se voltar para o segundo semestre de 2027. A cerca de quatro meses da estreia de “Avenida Brasil 2”, ainda não há confirmação oficial sobre qual produção assumirá a faixa das nove na sequência.
A Globo, portanto, não está apenas diante do desafio de fazer “Avenida Brasil” funcionar uma segunda vez. Terá também de descobrir o que colocar no ar quando o público se despedir novamente de um universo que marcou a televisão brasileira. Porque, seja qual for o resultado da continuação, a novela seguinte receberá uma das missões mais ingratas da dramaturgia da emissora em 2027.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Carla Bittencourt.

