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Divisão do Fundo Eleitoral causa guerra de candidatos com PDT-SP: "Esmola"

Divisão do Fundo Eleitoral causa guerra de candidatos com PDT-SP: "Esmola"
Gui Prímola/Metrópoles

A divisão do Fundo Eleitoral gerou uma “guerra” interna noPDT-SP. Segundo relatos, candidatos a deputado federal pelo estado estão insatisfeitos com o partido devido à falta de cumprimento de promessas e de assistência na campanha para as eleições.

Neste ano, o PDT tem R$ 169,3 milhões de verba distribuída nacionalmente. No entanto, em São Paulo, enquanto alguns candidatos receberam recursos na casa das centenas de milhares, de R$ 100 mil a R$ 400 mil, outros não receberam nada, ou valores muito abaixo do combinado, como R$ 10 mil.

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Em conversas, registradas de agosto até essa quinta-feira (3/9), em um grupo grupo no WhatsApp chamado Deputados Federais PDT São Paulo, obtidas pelo Metrópoles, candidatos chamaram a situação de “chacota”, “constrangimento”, “injustiça” e “vergonha”. Um deles definiu o dinheiro destinado pela sigla como “esmola”.

“Candidatos pegaram R$ 400 mil e outro pega R$ 10 mil, R$ 15 mil. Gente, o estadual pegou R$ 2.6 mil, aí também é brincadeira, não dá nem para pagar o advogado”, reclamou um dos integrantes.

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Alguns participantes estão se organizando para retirar as próprias candidaturas. Os participantes também condenam a falta de material de divulgação, como panfletos e bandeiras.

“Vontade é sair, abandonar o partido e tomar outras providências. Como que a gente vai ficar nessa situação? Continuar com essa palhaçada que tá? Porque tá uma palhaçada isso pra mim. Chega, já deu. Todo mundo aí fazendo suas campanhas, a gente parado. E a gente sem material, sem nada, sem dinheiro, recursos, sem fundo partidário, sem nada, sem material“, lamentou um dos candidatos.

Outro destacou que o PDT é um partido de centro-esquerda e deveria “olhar para os minorizados”. “Eu entendo a indignação de todo mundo aqui, porque, para sair como candidato, a gente faz uma série de esforços”, apontou. “O partido não manda o recurso e não manda material suficiente, então, se torna tudo mais difícil do que deveria ser, enquanto eu sei que tem uns aí que certamente receberam valores altos, porque são pessoas mais chegadas no partido. É muito triste isso”, queixou-se.

Uma das críticas é a de que o PDT-SP estaria privilegiando postulantes que têm maior relevância nas redes sociais. “Candidatos que são youtubers, candidatos que são influencers, estão ganhando mais de R$ 50 mil. Com todo o respeito, eu não me sinto diferente, nem pior do que eles, para receber só 10 mil reais”, destacou uma das mensagens.

“Eu entendo que o partido quer ultrapassar a cláusula de barreira, quer ganhar, quer continuar, porque existe uma necessidade do partido de continuar, mas desse jeito, cara, com essa desorganização, isso aqui virou um quiosque, não faz sentido nenhum”, acrescentou outra.

Em um dos diálogos, um dos candidatos reclama de uma suposta recomendação que teriam ouvido do presidente e de um advogado do partido para que eles pedissem apoio de amigos na divulgação das campanhas diante da falta de suporte oficial.

As conversas também evidenciam a falta de apoio de Antônio Neto, presidente do diretório municipal da legenda em São Paulo, e de Carlos Lupi, presidente nacional. Os candidatos dizem que, em uma viagem a Brasília, havia sido prometida ajuda financeira a todos os candidatos a deputado federal.

“Estivemos em Brasília, viajamos a noite toda, de ônibus, passando frio, fome, dificuldade, e o próprio Lupi falou na reunião que iria liberar verba para os candidatos. Só que é o seguinte, vocês estão esquecendo que São Paulo é a maior cidade do Brasil, como é que um candidato faz uma campanha para ganhar com R$ 10 mil, com R$ 2 milhões já não ganha”, detalhou um dos participantes do grupo.

Entre as acusações, também estão citações a pessoas brancas que estariam se passando por pardas e que teriam recebido fundo alto. “Nós, mulheres pretas, completando a chapa, que nos chamaram pra ajudar, fizemos tudo certinho, e vendo mulheres brancas ganhando mais do que nós. Está tudo desorganizado”, indignou-se uma das candidatas.

O que diz o PDT

Procurado, o Diretório Estadual do PDT em São Paulo não se pronunciou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações. 

Em uma das mensagens, ao ser confrontado por candidatos, Ewerton Roberto Carreirinha, secretário adjunto geral estadual do PDT, disse que “nenhuma promessa foi feita a ninguém” e que os recursos da sigla são geridos com responsabilidade, considerando as demandas nacionais, estaduais e a estrutura de todas as candidaturas. “O partido nunca enganou ninguém a respeito de verbas”, afirmou.

“Peço desculpas pelos transtornos enfrentados e reafirmo meu compromisso com o crescimento dessa legenda, pela qual tenho um profundo respeito e dedicação. Estamos trabalhando para mitigar os problemas dentro das nossas possibilidades”, continuou. “Por fim, reitero que a falta de respeito para com a direção não será tolerada. Aqueles que estiverem descontentes ou que desejem seguir outro caminho possuem total liberdade, pois vivemos em uma democracia e respeito essa decisão”, disse Carreirinha.

O que é o Fundo Eleitoral

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha, ou Fundo Eleitoral, foi criado pelas leis nº 13.487/2017 e 13.488/2017 e está previsto na Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997).

Distribuído apenas em anos eleitorais, surgiu após o Supremo Tribunal Federal (STF) proibir doações de empresas para o custeio das campanhas em 2015. O total de recursos é definido pela Lei Orçamentária Anual (LOA) e transferido pelo Tesouro Nacional ao TSE, responsável pelo repasse dos valores aos diretórios nacionais dos partidos.

No dia 1º de junho, a União disponibilizou à Justiça Eleitoral o montante de R$ 4,9 bilhões do FEFC. O Partido Liberal (PL) foi a sigla com maior valor destinado pelo Fundo Eleitoral: R$ 881,7 milhões. Em seguida, aparecem o Partido dos Trabalhadores (PT), com R$ 615,4 milhões, e o União Brasil, com R$ 526,2 milhões.

Segundo o TSE, as três legendas concentram cerca de 40% do montante distribuído pelo Fundo Eleitoral. A distribuição obedece parâmetros estabelecidos na legislação.

Do total disponível: 2% são divididos igualmente entre todos os partidos com estatuto registrado no TSE; 35% são distribuídos proporcionalmente aos votos obtidos pelas legendas na última eleição geral para a Câmara dos Deputados; 48% são repartidos de acordo com o número de representantes eleitos para a Câmara dos Deputados; e 15% são divididos conforme a representação dos partidos no Senado Federal.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Rebeca Ligabue.

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