Dois anos após caso, motorista de aplicativo rebate acusações de que teria ameaçado adolescente no DF
Em entrevista ao Portal LeoDias, Marcos Leite Coelho afirma ter sido vítima de tentativa de dopagem
Uber, uma das empresas de transporte por aplicativo (Reprodução: Internet)
Há pouco menos de dois anos, o Portal LeoDias trouxe a luz um caso que envolvia uma acusação de uma mãe contra um motorista de aplicativo que teria, supostamente, apontado a arma para um adolescente no Distrito Federal. Anos após o ocorrido, o motorista envolvido na denúncia, Marcos Leite Coelho solicitou à nossa reportagem a oportunidade de dar sua versão dos fatos. Em entrevista, o profissional rebateu às acusações, além de reclamar da demora da polícia civil do DF em encerrar as investigações, que seguem há quase dois anos.
Leia a entrevista completa
1º) Há dois anos o senhor foi acusado pela mãe do jovem, que até então tinha 16 anos de idade, de expulsá-lo de seu veículo sob a acusação de o rapaz tentar te “dopar” com um pó branco. Segundo a denúncia, você teria expulsado o jovem com o uso de uma arma de fogo. À época, a mãe do passageiro afirma que o jovem não teria feito nada para provocar tal reação em você. Segundo imagens de segurança obtidas por nossa equipe na época, o jovem teria saído do seu veículo na região do Lago Sul, Gostaria de saber qual seu lado da história: por que o jovem deixou seu veículo?
R: No dia 14 de novembro de 2024, eu fiz uma corrida com três destinos diferentes: o primeiro na QL 26 e o segundo, ora o solicitante da corrida na QL 18. E a terceira, permanecendo somente o menor, com destino ao conjunto 06 do SMDB.
Ao sair da quadra 18 eu perguntei ao menor se ele queria ir para o banco do lado, pois havia mais espaço, mas ele se recusou e permaneceu no banco atrás do motorista e continuamos o percurso, já próximo do desembarque senti um assopro, (não sabendo o que era e nem se tratava de um pó branco).
Tal assopro veio em direção a minha cabeça e nesse exato momento passei a sentir tontura, abri o vidro do veículo para entrar ar e eu consegui respirar, foi quando ele questionou porque eu havia aberto o vidro, nesse momento eu parei o veículo e desci, questionei com ele o que ele teria jogado em mim, desse momento em diante passamos a discutir e após ele me chamar de velho (Filho da Puta), eu mandei ele sair do meu carro e abri a porta traseira, aonde ele se encontrava para que o mesmo descesse, foi quando ele falou que eu merecia umas porrada, eu o alertei que estava armado e era policial, quando ele desceu do veículo se jogou no chão e próximo a ele ficou o celular e uma caixinha pequena de chiclete, não sabendo do que havia na caixinha aproximei- me para ver , mas ao tentar abaixar fiquei tonto e sai de perto dele, retornando ao meu veículo.
2º) Você diz que a polícia tem demorado nas investigações do seu caso, poderia nos dizer o que as autoridades têm afirmado?
Conforme os dados obtidos nos autos do Inquérito Policial (IP) 0751905-91.2024.8.07.0001, a delegacia solicitou prazos ao Ministério Público desde 22/04/2025, todos deferidos e prorrogados nas seguintes datas: 22/04/2025, 29/07/2025, 20/10/2025, 20/01/2026, 25/02/2026, 22/05/2026, e 06/07/2026. Esta última prorrogação foi acompanhada da mensagem da Promotora de Justiça, FABIANA SCOTTI GIUSTI, afirmando que o MP promove a devolução dos autos por 90 dias para a continuidade das investigações.
Ressalto que o relatório está parado desde 15/01/2026. Além disso, parece haver um privilégio em relação à palavra do menor, que é filho de uma família renomada em Brasília. O Colégio Everest, atualmente chamado Heavenly International School, é dirigido por BRUNO GONTIJO NÓBREGA e TAINAH CAVALCANTE ARAÚJO GONTIJO NÓBREGA, genitores do menor.
Na ocorrência registrada na 10ª DP, o pai do menor informou que “o motorista passou para o banco do passageiro, pegou uma arma no porta-luvas e obrigou o seu filho a descer do veículo”. Contudo, nas imagens, é claro que eu saí do meu veículo pela porta do motorista. O inquérito policial nº 367/2024-10ª DP e a ocorrência policial nº 2268/2024-10ª DP apuram condutas típicas previstas nos artigos 132, 146, 147 e 328 do Código Penal, além do artigo 14 da Lei 10.826/2003.
Até a presente data (31/08/2026), não consta nos autos o depoimento dos amigos do menor nem o vídeo da ocorrência, apenas prorrogações de prazo aguardando o suposto final do relatório.
Adicionalmente, meu porte de arma foi retirado, com a alegação da delegada Dra. Elizabete Maria Fremau de que “minha vida foi exposta a perigo”. Com a alegação fui sujeito a exames toxicológicos sendo feito pelo Instituto Médico Legal e em Empresa particular, com o resultado NEGATIVO para qualquer substancia toxicológica,
Essa situação resultou em uma busca e apreensão em minha residência, causando diversos constrangimentos e danos materiais, já que fui informado por vizinhos sobre a presença de uma viatura da 10ª DP e um Corolla branco, totalizando 10 policiais, 4 dos quais estavam armados. Além disso, houve danos ao meu portão causados pelo arrombamento no dia da busca, pois ao chegar em casa, os policiais já estavam no interior do terreno.
Tentei reaver as armas por duas vezes, através de ações de restituição de coisas apreendidas (processos nº 0741349-93.2025.8.07.0001 e nº 0751908-46.2024.8.07.0001), mas ambas foram negadas sob a alegação de que o processo ainda estava em investigação. A defesa solicitou a restituição dos meus bens, mas o pedido foi indeferido com a justificativa de que “o momento é inadequado para concluir o que realmente ocorreu”. Até o momento, sou a única pessoa punida, tendo perdido meu carro por não conseguir pagar e meus direitos adquiridos após 28 anos na Polícia Militar. Um dos indiciamentos que enfrento é por usurpação de função pública, pois no despacho da delegacia foi mencionado “como se policial fosse”.
Ao ir para a reserva da PM, nunca fui informado de que deixaria de ser policial. Quando entreguei meu documento de porte de arma na diretoria de veteranos da PMDF, levei minha identidade funcional, mas não foi aceita.
3º) Você segue suspenso pelo aplicativo de corridas desde aquela época? O aplicativo deu alguma oportunidade de você recorrer da decisão?
Eu não fui suspenso, eu fui banido da plataforma, mas não culpo o aplicativo são regras de todos os aplicativos, uma vez que na época o mãe do menor espalhou em vários grupos a minha foto e relatou a história que era contada pelo filho e a consequência gerou todo esse transtorno, é por isso que procuro que seja feita a justiça se o ministério público achar que eu tenho culpa encaminhe o processo ao juiz para que a minha advogada possa fazer minha defesa, agora o inquérito permanecer por vários anos sem uma definição para mim é a mesma coisa de ser condenado sem ser julgado.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por João Victor.

