A emergência fitossanitária é prorrogada no Acre por causa da monilíase, doença que ataca frutos de cacau e cupuaçu e representa uma das maiores ameaças à produção agrícola da região. A decisão foi oficializada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (24).
Com a medida, a situação de emergência permanecerá em vigor por mais um ano, permitindo a continuidade das ações de monitoramento, contenção e combate à praga nos municípios afetados.
Medida entra em vigor em agosto
A nova portaria passa a valer a partir de 5 de agosto e também contempla os estados do Amazonas, Pará e Rondônia, considerados áreas de risco para a disseminação da doença.
Segundo o superintendente do Ministério da Agricultura no Acre, Paulo Trindade, o foco da monilíase continua restrito aos municípios de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Marechal Thaumaturgo.
De acordo com ele, o trabalho de fiscalização realizado no estado tem servido de referência nacional.
“Tanto o monitoramento quanto as medidas de contenção executados no Acre são referência, pois têm impedido a dispersão da praga para fora das áreas onde inicialmente ela foi encontrada. Em todo o estado é realizado o monitoramento em propriedades duas vezes ao ano”, afirmou.
Monitoramento e ações continuam
A prorrogação mantém todas as medidas já adotadas pelo governo federal para impedir que o fungo alcance novas áreas produtoras.
Entre as ações previstas estão:
- monitoramento permanente das propriedades rurais;
- fiscalização em áreas consideradas de maior risco;
- educação fitossanitária para produtores;
- identificação precoce de novos focos;
- medidas de supressão e erradicação quando houver confirmação da doença;
- reforço dos protocolos de biossegurança no transporte de amêndoas de cacau.
Praga pode destruir até 80% da produção
A monilíase é causada pelo fungo Moniliophthora roreri e é considerada uma das doenças mais agressivas da cultura do cacau e do cupuaçu.
A infecção provoca deformações, manchas escuras e o apodrecimento dos frutos, podendo comprometer até 80% de uma plantação quando não controlada.
Por se tratar de uma praga quarentenária, qualquer suspeita da doença deve ser comunicada imediatamente aos órgãos de defesa agropecuária.
Acre convive com emergência desde 2021
O Acre foi o primeiro estado brasileiro a registrar foco da monilíase, em julho de 2021, no município de Cruzeiro do Sul.
Desde então, o estado permanece sob quarentena fitossanitária e executa ações permanentes para impedir que a doença avance para outras regiões produtoras.
Ainda em 2021, mais de 580 árvores precisaram ser eliminadas como parte das medidas de contenção adotadas pelos órgãos de fiscalização.
Com a nova prorrogação, o Ministério da Agricultura pretende manter as estratégias de prevenção e reduzir os impactos econômicos provocados pela doença sobre a produção de cacau e cupuaçu na Região Norte.

