O empresário da Operação Rota do Fim volta a ser preso após decisão da Justiça no Acre. A determinação do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) resultou na prisão de quatro investigados, incluindo Ennyelson Moraes de Souza, conhecido por ter sido proprietário de frigoríficos e de uma empresa de leilões.
Os mandados foram cumpridos nesta quinta-feira (30), durante uma operação coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Polícia Militar.
Os investigados haviam sido colocados em liberdade no último dia 16 de julho, após decisão da Vara de Delitos de Organizações Criminosas de Rio Branco, que autorizou o cumprimento de medidas cautelares, como monitoramento eletrônico, recolhimento domiciliar noturno e restrições de contato.
No entanto, o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) recorreu da decisão, argumentando que a gravidade dos crimes investigados e o risco de interferência nas investigações justificavam a manutenção das prisões preventivas.
Ao analisar o recurso, o Tribunal de Justiça concordou com os argumentos apresentados pelo MPAC e determinou o retorno imediato dos investigados ao sistema prisional.
Investigação aponta movimentação de R$ 200 milhões
A Operação Rota do Fim foi deflagrada pela Polícia Federal para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas.
Segundo as investigações, empresas ligadas ao setor pecuário teriam sido utilizadas para ocultar recursos provenientes de atividades criminosas. O grupo investigado atuaria em diferentes áreas, como compra e venda de gado, frigoríficos, leilões de animais, distribuição de carne e comercialização de insumos agropecuários.
De acordo com a Polícia Federal, o esquema teria movimentado aproximadamente R$ 200 milhões.
As investigações começaram após a apreensão de quase meia tonelada de cocaína, em 2022, no município de Poconé, no Mato Grosso. A partir desse episódio, os investigadores identificaram indícios de ligação entre os suspeitos e integrantes da facção criminosa Comando Vermelho.
Além das prisões, a Justiça também determinou o bloqueio de imóveis, veículos, contas bancárias e rebanhos atribuídos aos investigados.
A operação mobilizou equipes da Polícia Federal, Receita Federal e do Gaeco em diversos estados, incluindo Acre, Rondônia, Mato Grosso, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.

