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Entenda como "pai de santo" levou mulher a perder R$ 700 mil

Entenda como "pai de santo" levou mulher a perder R$ 700 mil
Getty Images

Entre fevereiro e novembro de 2021, Carolina*, de 51 anos, (nome fictício) foi manipulada e extorquida por Kaique Augusto Lima, que se apresentava como “pai de santo” e prometia curá-la do mal que a assombrava. O golpe começou com uma cobrança de R$ 2,3 mil e, em pouco tempo, consumiu quase todos os bens da vítima, que teve um prejuízo de aproximadamente R$ 700 mil. O caso aconteceu em Rio Claro, interior de São Paulo.

A Justiça de São Paulo manteve, nesta sexta-feira (7/8), a decisão da 1ª Vara Criminal de Rio Claro que condenou Lima por extorsão, com agravante de fragilidade da vítima e continuidade delitiva . A pena foi fixada em 9 anos e 26 dias de reclusão, em regime fechado.

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Kaique Augusto Lima

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Caderno com anotações de falso pai de santo

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Caderno com anotações de falso pai de santo

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Caderno com anotações de falso pai de santo

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Carro dado a suposto pai de santo

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Mensagens enviadas por suposto pai de santo

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Mensagens enviadas por suposto pai de santo

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Mensagens enviadas por suposto pai de santo

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Carro dado a suposto pai de santo

Reprodução

O primeiro encontro entre Carolina e Lima teria ocorrido, pela primeira vez, em uma casa de artigos religiosos. Na vítima passava por um momento de fragilidade física e mental, com crises decorrentes do quadro de esclerose mesial e supostas “situações sobrenaturais”, segundo relatou à polícia.

Lima teria se apresentado como alguém capaz de ajudá-la. Ele ofereceu um trabalho espiritual pelo qual cobraria R$ 2,3 mil, referentes a despesas e “mão de obra”. Em situação de desespero, Carolina aceitou.

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do Metrópoles SP

Segundo o depoimento da vítima, ao qual o Metrópoles teve acesso, os supostos eventos sobrenaturais continuaram. Carolina relatou que televisões ligavam sozinhas, luzes piscavam e sons desconhecidos eram ouvidos dentro da casa. Ela voltou a procurar Lima e foi orientada a retornar ao terreiro.

Durante uma tiragem de cartas, o “pai de santo” afirmou que alguém na casa de Carolina iria morrer. A mulher teve uma crise de ansiedade e pediu ajuda. No dia seguinte, segundo o relato da vítima, Lima realizou novos “trabalhos espirituais” para tratar as crises e cobrou R$ 100 mil. O pagamento foi feito na conta de Elaine Augusta de Carvalho, sogra de Lima.

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As cobranças, segundo Carolina, foram sucessivas e exploravam suas fragilidades. Lima teria dito, por exemplo, que ela precisaria realizar um novo “trabalho” porque havia sofrido um aborto meses antes.

“Trabalho espiritual” do INSS

Em maio, Carolina contou ao “pai de santo” que havia se aposentado. Segundo o depoimento, Lima disse que ela precisaria financiar uma festa para a entidade Maria Quitéria como forma de agradecimento.

De acordo com a vítima, ele afirmou que a festa custaria R$ 100 mil e que, caso ela não pagasse, algo ruim poderia acontecer. Lima também teria dito que o guia espiritual de Carolina a mataria se o dinheiro não fosse depositado. Com medo, ela fez a transferência.

As cobranças continuaram. Depois da festa, segundo Carolina, Lima pediu mais dinheiro para outra entidade e a coagiu fisicamente. Ela, então, realizou mais uma transferência, desta vez no valor de R$ 30 mil.

Doações e cobranças

Depois desses episódios, Carolina tentou se afastar do religioso. Segundo ela, porém, Lima afirmava que havia uma dívida de R$ 75 mil. Pressionada, a mulher solicitou um trabalho para se afastar da religião e entregou, como “doação”, um apartamento avaliado em R$ 225 mil. O imóvel foi transferido para os nomes de Lima e de Milaine de Carvalho Lima, esposa dele.

Coagida pelo religioso a não denunciar o que estava acontecendo, Carolina passou a morar no terreiro até conseguir alugar outro apartamento.

Afastada da família, ela continuou, segundo o processo, sob influência de Lima, que teria comprado bens em seu nome. No processo, Carolina afirmou que, depois de algum tempo, conseguiu se afastar do “pai de santo”. A perseguição, no entanto, teria continuado. Lima chegou a comprar uma SUV em nome da vítima, segundo o relato.

Sem saída, Carolina tentou suicídio e foi levada a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde permaneceu internada por quatro dias. Foi apenas nesse momento que a família descobriu o crime.

Páginas de diário

Páginas do diário da vítima foram apresentadas como provas no processo. Nos relatos, Carolina escreveu que havia se afastado da família por influência de Lima.

“Querido diário, através de um pai de santo chamado Kaique, que mora em Rio Claro, descobri que a minha família fazia mal para mim”, escreveu.

Durante o julgamento, Lima afirmou que ele e a esposa foram procurados voluntariamente por Carolina no terreiro, onde ele atua como pai de santo. Segundo a versão apresentada pela defesa, os pagamentos feitos pela mulher foram contribuições espontâneas.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Nicole Braga.

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