Quatro homens ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), familiares deles e agentes públicos são alvo de uma megaoperação deflagrada na manhã desta quinta-feira (3/9) pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Itanháem, no litoral paulista. O grupo é suspeito de movimentar quase R$ 1 bilhão na Baixada Santista, entre a aquisição de imóveis de luxo e monopólio de quiosques na orla de Praia Grande.
Batizada de Helmintos, a megaoperação identificou uma estrutura colaborativa do PCC que operacionalizava a lavagem de dinheiro do narcotráfico. O grupo comprava imóveis, em boa parte de luxo, com escrituras particulares e procurações, e dominou a obtenção de concessões para quiosques públicos.
A investigação identificou quatro frentes dos investigados: lavagem de dinheiro por meio de negócios imobiliários; controle de quiosques instalados em áreas públicas; suspeitas de favorecimento em licitações municipais; e financiamento ou apoio financeiro a agentes políticos eleitos. A polícia apura possível tentativa de ampliar a influência da organização criminosa sobre setores do Executivo e do Legislativo municipal.
A Justiça decretou a prisão temporária de quatro pessoas ligadas ao PCC. São elas: Anderson Roberto Braghine, o Fio; Alexander Miguel da Silva, o Gordão; Ronaldo Yuzo Sekiya, o Japonês; e Leonildo Marinho de Andrade, o Nêne. (veja abaixo atuação de cada suspeito).
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do Metrópoles SP
Outras seis pessoas também são alvo da megaoperação, mas não têm ordens de prisão decretadas. São elas: Andreia dos Santos Ferreira, Marcio de Oliveira Biley, Monica da Costa Ribeiro (esposa de Fio), Luciene Athaydes Morgado (ex-companheira de Fio e atual companheira de Danilo Morgado, candidato a deputado estadual pelo PL); Tatiana Ferreira dos Santos (esposa de Gordão) e Viviane de Camargo (companheira de Nêne).
As buscas ocorreram em imóveis residenciais e comerciais, empresas nas cidades de Praia Grande, Guarujá, Santo André e Santana de Parnaíba. A Prefeitura de Praia Grande também foi alvo.
As seis pessoas alvo de ordens judiciais de busca e apreensão tinham participação no esquema que ia da lavagem de dinheiro a até a aquisição de imóveis de luxo para o PCC. A Justiça também decretou o bloqueio de contas e investimentos, além do sequestro de 29 imóveis vinculados aos investigados.
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Prefeitura
Investigadores apuraram que o grupo, além de participar da lavagem de dinheiro para o PCC, também teria sido supostamente favorecido em uma licitação pública, ocorrida em 2020, para concessão de quiosques públicos na Orla da Aviação, em Praia Grande.
A polícia investiga se o favorecimento envolveu a participação direta de agentes públicos e o pagamento de apoio financeiro a políticos eleitos no município.
O esquema do grupo, conforme as investigações, é estruturado hierarquicamente, com líderes, operadores financeiros, hub imobiliário e colaboradores e familiares dos investigados dados como “testa-de-ferro”, além de empresas usadas para branquear os valores.
Entenda função de cada alvo
Cada alvo da operação tinha uma função específica para o funcionamento do esquema. Os quatro homens ligados ao PCC desempenhavam atribuições diferentes.
As investigações da Divisão Antinarcóticos de Itanhaém descobriu que o principal nome da lavagem de dinheiro da facção era Anderson Roberto Braghine, o Fio. Ele tinham, segundo a polícia, a função de liderar o esquema, captar verba do narcotráfico e ocultar valores por meio de empresas de fachada. O suspeito também indicava quais imóveis de luxo eram de interesse do grupo.
Já Alexander Miguel da Silva, o Gordão, captava valores relacionados à venda de drogas em nível estadual e nacional de membros diretos do PCC. A polícia diz que o suspeito também usava uma empresa “fantasma” para lavar o dinheiro ilegal.
Leonildo Marinho de Andrade, o Nêne e Ronaldo Yuzo Sekiya, o Japonês, eram os operadores financeiros do esquema. O primeiro introduzia dinheiro em espécie no sistema financeiro e, depois, redistribuía às lideranças da maior facção criminosa na Baixada Santista e o segundo homem acima listado era o “homem de confiança” de Gordão.
Família e lavagem
Investigadores revelaram que os outros seis alvos eram responsáveis por lavar dinheiro e ocultar bens do PCC.
Andreia dos Santos Ferreira branqueava o dinheiro para ocultar valores ilícitos. Cifras expressivas passavam por empresas administradas pela mulher e seguiam para membros do PCC. Relatórios de Inteligência Financeira (RIF), do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), apontam que ela movimentou cerca de R$ 15 milhões.
Outro nome que também tinha participação relevante no esquema era Marcio de Oliveira Biley. A polícia apurou que ele utilizou uma empresa para facilitar a compra de imóveis de luxo a membros do PCC. As movimentações levantadas durante a investigação mostram que houve uma movimentação financeira de R$ 100,2 milhões.
Monica da Costa Ribeiro, esposa de Fio, operava transações financeiras e imobiliárias para o grupo. A polícia descobriu que ela criou uma espécie de “camada de proteção” para ocultação do dinheiro ilegal, além de manter valores – ainda apurados – fora do país.
Luciene Athaydes Morgado, conforme a polícia, é ex-companheira de Fio. Atualmente, é casada com Danilo Morgado, candidato a deputado estadual pelo Partido Liberal (PL). Relatórios, aos quais o Metrópoles teve acesso, apontam que a mulher participava do esquema de lavagem de dinheiro e era responsável por operações financeiras e imobiliárias em favor do grupo.
Já Tatiana Ferreira dos Santos, esposa de Gordão, era sócia/proprietária de um dos quiosques públicos. O empreendimento também é alvo das investigação. Segundo relatório do Coaf, apesar de renda declarada de R$ 3,3 mil, a mulher movimentou cerca de R$ 51,2 milhões. A polícia diz que ela está fora do país.
Esposa de Nêne, Viviane de Camargo, segundo a polícia, usava procurações e subestabelecimentos para adquirir novos imóveis para o grupo. A polícia diz que, apesar das transações, as movimentações financeiras não tinham lastros fiscais, o que despertou suspeita de que estes imóveis eram direcionados ao PCC.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Marcus Pontes.

