Uma pesquisa que identifica uma falha geológica inédita em Tarauacá concluiu que o município é o mais afetado pela atividade sísmica no Acre. O estudo foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Acre (Ufac) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e publicado na Revista GeoUECE.
Os pesquisadores analisaram registros de terremotos ocorridos no Acre desde a década de 1950 com base em dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A pesquisa catalogou os eventos sísmicos, avaliando frequência, magnitude, profundidade e localização dos tremores, além de mapear as áreas com maior incidência.
Segundo o estudo, o Acre está situado em uma região influenciada pelo encontro das placas tectônicas de Nazca e Sul-Americana, condição que favorece a ocorrência de terremotos. Os autores classificam o estado como uma área sismogênica ativa, com aumento da atividade sísmica observado principalmente nas últimas décadas.
A análise mostrou que os registros de tremores cresceram significativamente a partir da década de 1980. O ano de 2015 concentrou o maior número de ocorrências no período analisado, com 17 terremotos registrados. Entre 2013 e 2016, foram contabilizados 21 eventos sísmicos.
Os pesquisadores também destacam que a maior parte dos terremotos sentidos no Acre tem origem no Peru. Como esses abalos costumam ocorrer em profundidades próximas de 600 quilômetros, as ondas sísmicas conseguem percorrer grandes distâncias e alcançar o território acreano, sendo percebidas principalmente nos municípios de Tarauacá e Feijó.
Possível falha geológica divide o Acre em duas unidades tectônicas
A principal descoberta da pesquisa foi a identificação de uma estrutura geológica ainda não descrita anteriormente, denominada pelos autores de Falha de Tarauacá.
De acordo com o estudo, essa possível falha separaria o território acreano em duas unidades tectônicas distintas, chamadas de Placa do Juruá e Placa do Purus.
Os pesquisadores afirmam que a concentração dos terremotos registrada em Tarauacá reforça a hipótese da existência dessa estrutura geológica, que poderia favorecer a propagação das ondas sísmicas na região.
Apesar da descoberta, os autores ressaltam que a identificação da falha representa uma hipótese científica baseada nos dados analisados e que novos estudos serão necessários para confirmar sua existência e compreender melhor seu funcionamento.
Segundo a equipe, o trabalho amplia o conhecimento sobre a dinâmica geológica do Acre e poderá servir de base para futuras pesquisas voltadas ao monitoramento da atividade sísmica e ao entendimento dos processos tectônicos que atuam na região amazônica.

