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EUA aplicam tarifa de 12,5% sobre produtos do Brasil após investigação comercial

EUA aplicam tarifa de 12,5% sobre produtos do Brasil por investigação sobre trabalho forçado

Sobretaxa de 12,5% passa a valer para produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos.

Os EUA aplicam tarifa de 12,5% sobre produtos do Brasil a partir desta quinta-feira (23), em uma nova medida comercial anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A sobretaxa foi adotada após uma investigação conduzida pelo governo norte-americano sobre mecanismos de combate ao ingresso de produtos fabricados com trabalho forçado.

A nova alíquota substitui a tarifa temporária de 10% que vinha sendo aplicada desde fevereiro deste ano, após decisões judiciais relacionadas às medidas tarifárias implementadas pelo presidente Donald Trump.

Segundo o USTR, o Brasil integra o grupo de aproximadamente 60 países que, na avaliação do governo norte-americano, não possuem ou não aplicam de forma efetiva mecanismos para impedir a importação de mercadorias produzidas com mão de obra forçada.

Medida integra política comercial dos Estados Unidos

A decisão foi assinada pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, sob orientação do presidente Donald Trump.

De acordo com o órgão, a nova política busca pressionar parceiros comerciais a adotar regras consideradas mais rigorosas para impedir a circulação de produtos associados ao trabalho forçado nas cadeias globais de produção.

“O Representante Comercial determinou a imposição de tarifas de 12,5% sobre os produtos do Brasil, exceto conforme previsto nos anexos da decisão”, informou o USTR.

Investigação envolveu cerca de 60 países

As investigações foram abertas em março com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelos Estados Unidos para responder a práticas consideradas desleais ou discriminatórias no comércio internacional.

Segundo Washington, os 60 países investigados representam aproximadamente 99,4% das importações realizadas pelos Estados Unidos.

O governo norte-americano estabeleceu dois níveis de sobretaxa:

O Brasil foi enquadrado na segunda categoria, ao lado de países como China, Argentina, Austrália, Japão, Reino Unido, Índia e África do Sul.

Governo brasileiro contestou conclusões

Durante a fase de consultas públicas da investigação, o governo brasileiro apresentou manifestação contestando as conclusões do USTR.

Em documento encaminhado ao órgão norte-americano, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o Brasil possui legislação interna, mecanismos de fiscalização e compromissos internacionais voltados ao combate ao trabalho forçado e à prevenção da entrada desses produtos no mercado nacional.

Nova tarifa amplia pressão comercial

A tarifa de 12,5% soma-se a outra medida comercial anunciada recentemente pelos Estados Unidos.

Na quarta-feira (22), entrou em vigor uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras, resultado de uma investigação distinta conduzida também com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

Segundo o governo dos Estados Unidos, essa investigação envolve temas como barreiras comerciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e políticas relacionadas ao desmatamento.

Por Samoel Andrade

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