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Ex-número 3 da Fazenda preso foi promovido duas vezes no governo Tarcísio

Ex-número 3 da Fazenda preso foi promovido duas vezes no governo Tarcísio
Arte/Metrópoles

Weiss deixou uma delegacia tributária regional e chegou ao comando da fiscalização e da administração tributária de São Paulo.

O servidor era Delegado Regional Tributário (DRT) de Jundiaí. Em abril de 2023, assumiu a chefia da Diretoria de Fiscalização (Difis) e, em novembro do mesmo ano, tornou-se Diretor-Geral Executivo da Administração Tributária (Deat).

Tarcísio explicou na quinta-feira (3/9), quando Weiss foi preso, por que ele conquistou, em tão pouco tempo, o terceiro posto mais alto da Fazenda estadual.

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do Metrópoles

“Em 2023 houve uma substituição nesta posição porque tinha uma pessoa que também estava envolvida em problema. E aí, preventivamente, se fez essa substituição. Esse senhor assumiu essa posição”, disse.

Em nota, a Sefaz-SP informou que Weiss perdeu o cargo de chefia em 29 de maio e está afastado, sem remuneração, desde o último dia 3 de setembro.

“Ele responde a processo administrativo que pode resultar, ao término, em demissão a bem do serviço público”, disse a pasta.

Ao todo, 23 servidores estão afastados sem remuneração após a Operação Ícaro, deflagrada em agosto de 2025 pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec) do Ministério Público de São Paulo (MPSP).

R$ 4,5 milhões em propina

Weiss foi denunciado pelo MPSP por ter recebido suborno desde que assumiu a chefia da Difis. Em troca, ele manteve o ex-delegado tributário Paulo Prado, conhecido como PP, no Butantã, distrito da zona oeste, onde ocorria o esquema de ressarcimento de ICMS. Prado ficou lotado no local até se aposentar, em 2024.

O ex-número 3 da Fazenda estadual recebia uma mesada de R$ 250 mil. A propina era paga pelo advogado João Buttini diretamente ao PP. O dinheiro vivo era transportado em mochilas e entregue em restaurantes e cafés de alto padrão em Pinheiros, na zona oeste paulistana.

O dinheiro era pago pelas empresas beneficiadas no esquema ao advogado, que ficava com 3% do valor, por ser intermediário da propina entre empresários e agentes públicos.

Para justificar o montante de dinheiro em espécie, Weiss revelou em um almoço que iria abrir uma sauna, pois a maioria dos pagamentos era em cédulas.

“Quem vai passar cartão em uma sauna? Ninguém”, disse Weiss no fim de julho de 2023.

Além disso, o local poderia ser usado para reuniões, devido às dificuldades de gravação de conversas.

Ironicamente, essa conversa estava sendo gravada por Artur Gomes da Silva Neto, auditor fiscal que usou a mãe como laranja em uma empresa de consultoria tributária. A empresa emitiu R$ 1 bilhão em notas fiscais, usadas como justificativa legal para a propina recebida de empresas, principalmente varejistas.

Inventário inflado

Outro artifício utilizado por Weiss para justificar o salto patrimonial foi ter inflado a herança do pai, falecido em 2022.

O inventário registrou espólio de R$ 99,9 milhões, enquanto o cartório declarou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) pouco mais de R$ 579 mil.

O pai de André, Eugen Weiss, também era servidor público. Aposentou-se como engenheiro do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Aos 70 anos, entrou para o mundo da literatura e publicou seu primeiro romance, finalista do Prêmio Jabuti em 2017.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Ramiro Brites.

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