Um exame de sangue pode, no futuro, ajudar a indicar como diferentes órgãos do corpo estão envelhecendo. A possibilidade surge a partir de um estudo publicado nesta sexta-feira (14/8) na revista Nature Medicine, que usou inteligência artificial para estimar a idade biológica de tecidos humanos.
A pesquisa analisou mais de 25 mil amostras de tecido de cerca de mil pessoas. Com base nessas imagens, os cientistas criaram modelos capazes de estimar a idade de órgãos específicos a partir da sua estrutura microscópica.
Os resultados mostram que o envelhecimento não ocorre de forma uniforme no corpo. Cada órgão segue um ritmo próprio, e essas diferenças podem estar ligadas a doenças e a fatores do dia a dia.
Relógios biológicos dos tecidos
Para chegar a essas estimativas, os pesquisadores treinaram sistemas de inteligência artificial com imagens de tecidos humanos de diferentes partes do corpo, como cérebro, coração, pulmão e pele.
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do Metrópoles Saúde e Ciência
A análise mostrou que a aparência desses tecidos guarda sinais do tempo. Com isso, foi possível criar os chamados “relógios teciduais”, que estimam a idade biológica com base nessas características.
Segundo os autores, o modelo apresentou uma margem média de erro de cerca de cinco anos. Além disso, as estimativas se associaram a marcadores conhecidos do envelhecimento, como alterações celulares e presença de doenças crônicas.
Cada órgão envelhece de um jeito
Os dados indicam que alguns órgãos começam a apresentar sinais de envelhecimento mais cedo. Pulmão, rim, pâncreas e glândula adrenal mostraram mudanças já entre os 20 e 40 anos.
Outros tecidos seguem trajetórias diferentes ao longo da vida. No caso do útero, por exemplo, houve uma mudança mais evidente por volta da menopausa.
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Os pesquisadores também observaram que doenças específicas podem estar relacionadas ao envelhecimento acelerado de determinados órgãos. A diabetes, por exemplo, apareceu ligado a alterações no pâncreas, enquanto problemas renais se associaram a mudanças em vários tecidos.
Do tecido ao exame de sangue
Como nem sempre é possível coletar amostras de órgãos, a equipe buscou uma alternativa. Os cientistas relacionaram os dados dos tecidos com informações genéticas obtidas a partir do sangue.
Com isso, conseguiram desenvolver um modelo que estima a idade biológica de órgãos a partir de exames sanguíneos. A ferramenta identificou padrões associados a doenças como Alzheimer, doença de Crohn, fibrose cística e AVC.
“Diferentes órgãos envelhecem de maneiras distintas, e esses processos parecem ser moldados por vários fatores”, afirmou o pesquisador Yimin Zheng, um dos autores do estudo, em comunicado.
Apesar dos resultados, a aplicação clínica ainda depende de novos estudos. A expectativa é que, no futuro, esse tipo de análise ajude a acompanhar a saúde dos órgãos e a evolução de doenças de forma menos invasiva.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Ravenna Alves.

