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Exclusivo. Hamas agradece Lula por defender palestinos em discurso na ONU

Lula fala sobre guerras, 6x1 e eleições na ONU. Veja a íntegra do discurso
Ricardo Stuckert/PR

Luiz Inácio Lula da Silva usou parte do discurso na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para alertar sobre a situação na Faixa de Gaza, e falou sobre as marcas que o “genocídio praticado pelo governo Netanyahu” podem causar em milhares de palestinos. O posicionamento do presidente do Brasil, adotado desde o início do terceiro mandato, foi visto com bons olhos pela ala política do Hamas.

Em manifestação enviada ao Metrópoles, o representante político do grupo palestino no Irã, Khaled Qaddoumi, classificou a postura do líder brasileiro como “positiva”.

“Essa é uma postura positiva por parte de um grupo de países, que aponta para a direção certa, para o bem da humanidade. Netanyahu e outros criminosos de guerra são declarados uma ameaça à humanidade e a principal causa da instabilidade e da falta de segurança em nível global”, diz Qaddoumi.

O membro do Hamas afirmou ainda que Lula “escolheu estar do lado certo da história”. “O presidente Lula do Brasil, eu pessoalmente o considero alguém que está em harmonia consigo mesmo, tanto como ser humano quanto como defensor dos direitos dos palestinos”, completa.

Guerra na Faixa de Gaza

Na abertura da Assembleia Geral da ONU, realizada na última terça-feira (22/9) em Nova York, Lula voltou a criticar as políticas israelenses em Gaza e na Cisjordânia ocupada, e citou nominalmente o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu — alvo de um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) em 2024 por crimes de guerra e contra palestinos.

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do Metrópoles

O Hamas também foi criticado na fala.

Veja:

Em 2024, o grupo palestino já havia agradecido posicionamentos semelhantes de Lula sobre o conflito na Faixa de Gaza. Na época, o presidente brasileiro comparou as ações das Forças de Defesa de Israel (FDI) no território palestino as mortes de judeus durante o Holocausto promovido pela Alemanha Nazista.

A fala do petista foi o ápice da crise diplomática entre Tel Aviv e Brasília, cujas relações foram rebaixadas em 2025. O episódio provocou uma reação imediata do governo de Israel, que convocou o então embaixador do Brasil no país, Frederico Meyer, para explicações no Museu do Holocausto. 

Depois disso, Israel acusou o Ministério das Relações Exteriores de ignorar a indicação do Gali Dagan como novo embaixador de Israel no Brasil. A expectativa era de que o diplomata assumisse o posto após a aposentadoria do ex-chefe da missão israelense Daniel Zonshine.

Na época, interlocutores do Itamaraty afirmaram que a decisão foi tomada após Israel não seguir o rito diplomático estabelecido pela Convenção de Viena, e anunciar Dagan antes mesmo de o Brasil conceder o agrément — aprovação — para o diplomata.

Celso Amorim, assessor especial de Lula para assuntos internacionais, afirmou que a medida também foi uma resposta ao que o governo brasileiro considerou uma “humilhação” cometida contra o ex-embaixador do Brasil em Israel durante o episódio no Museu do Holocausto. 

As relações entre os dois países foram oficialmente rebaixadas em agosto de 2025, quando o governo de Israel retirar o pedido de agrément do embaixador Gali Dagan para o posto em Brasília. 

Desde então, as embaixadas do Brasil em Telv Aviv, e de Israel em Brasília, são controladas por encarregados de negócios. Na diplomacia, tal mudança simboliza uma crise entre duas nações, que deixam de ter representações e comunicações dirigidas por diplomatas de primeiro escalão.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Junio Silva.

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