O ex-banqueiro Daniel Vorcaro disse ter tido uma “grande surpresa” quando o Banco Central negou o pedido de fusão entre o Banco Master, do qual era dono, e o BRB, banco público de Brasília. Vorcaro fez a afirmação durante depoimento à Polícia Federal na última sexta-feira (28/8). O depoimento foi obtido com exclusividade pelo Metrópoles.
“(A fusão com o BRB) foi tratada como viável pelo BC até o último momento. Inclusive, a negativa foi uma grande surpresa para mim, delegado”, disse Vorcaro. “Porque, ao longo de seis meses, (o negócio) foi tratado como viável”, afirmou.
Apesar das declarações de Vorcaro, a fusão entre o BRB e o Master foi rejeitada por unanimidade pela diretoria do Banco Central, em setembro do ano passado.
“Ao longo do tempo, e eu acredito também muito em função de pressões midiáticas, o negócio passou a ser modificado. Ou seja, houve diversas requisições do Banco Central para que fosse modificado o modelo original que foi apresentado”, disse.
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“Ou seja, não existia, em nenhum momento, no meu entendimento e da nossa parte, a visão de que o negócio não seria aprovado”, afirmou o ex-banqueiro.
À PF, Vorcaro repetiu a versão de que a fusão com o BRB foi prejudicada por “ataques midiáticos”.
Em outro momento do depoimento, Vorcaro disse que “o Banco Central como um todo” tinha uma “postura de concordância e incentivo à conclusão da fusão” entre o Master e o BRB.
Mesmo sem que a venda tenha sido efetivada, o BRB chegou a comprar carteiras de “créditos podres” do Master por R$ 12 bilhões. Esse montante teve de ser assumido como prejuízo pelo banco público, que agora enfrenta dificuldades.
O depoimento à PF, obtido pelo Metrópoles, foi realizada na última sexta, dia 28 de agosto de 2026. Vorcaro prestou o depoimento por videoconferência da Papudinha, onde está preso no âmbito da Operação Compliance Zero. Ele estava acompanhado dos advogados Sérgio Leonardo, Daniel Bialski e Thiago Machado.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Andre Shalders.

