O Facebook falha em filtrar desinformação eleitoral em um teste realizado pela Anistia Internacional Brasil antes das Eleições 2026. A organização submeteu 15 anúncios pagos à plataforma, sendo 14 com conteúdos falsos relacionados ao processo eleitoral e um considerado neutro. Mais da metade dos anúncios com desinformação teve a programação aceita pelo sistema, embora nenhum tenha chegado a ser publicado.
O experimento foi divulgado nesta terça-feira (25), exatamente 40 dias antes do primeiro turno das eleições gerais, marcado para 4 de outubro. Os anúncios foram escritos em português e direcionados exclusivamente ao público brasileiro em idade de votar.
Anistia testou 15 anúncios no Facebook
A Anistia Internacional criou anúncios fictícios para avaliar como os mecanismos de moderação do Facebook reagiriam a conteúdos relacionados às eleições brasileiras.
Dos 15 anúncios enviados, 14 continham desinformação eleitoral e um era neutro. Segundo a organização, os materiais foram construídos a partir de narrativas que já circulavam nas redes sociais brasileiras.
Os conteúdos foram enviados para programação futura. Essa estratégia permitiu que a organização analisasse o sistema de revisão sem que os anúncios efetivamente fossem exibidos aos usuários.
Mais da metade dos anúncios foi aceita
O resultado chamou atenção porque oito dos 14 anúncios com desinformação tiveram a programação aceita pelo Facebook.
Os outros seis anúncios foram sinalizados para verificação de identidade ou passaram por outras etapas de análise, mas não foram especificamente rejeitados por conterem desinformação eleitoral. O anúncio neutro também recebeu uma sinalização relacionada à identidade.
Apesar da aprovação inicial, nenhum dos anúncios foi efetivamente publicado. A Anistia cancelou as campanhas antes da data prevista para veiculação justamente para evitar que conteúdos falsos chegassem aos eleitores.
Anúncios questionavam eleições e defendiam intervenção militar
Entre os materiais testados estavam conteúdos que colocavam em dúvida a integridade das eleições brasileiras, faziam alegações falsas sobre candidatos e questionavam a segurança do sistema de votação.
Outros anúncios apresentavam informações falsas sobre quando ou como votar e também defendiam a intervenção militar como resposta a problemas políticos ou de segurança pública.
A Anistia classificou os conteúdos em três estratégias principais: deslegitimação eleitoral, construção de um “inimigo” político e autoritarismo associado à segurança pública.
Teste ocorreu antes das Eleições 2026
A preocupação aumenta devido à proximidade do primeiro turno das Eleições 2026. A votação está marcada para 4 de outubro, deixando pouco mais de um mês para o pleito.
A organização afirma que o resultado demonstra possíveis vulnerabilidades no sistema de publicidade da plataforma que poderiam ser exploradas por grupos interessados em influenciar o processo eleitoral.
O teste também ocorre em um momento no qual o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ampliou a cooperação com plataformas digitais para combater conteúdos que possam interferir na decisão dos eleitores.
Meta diz ter mecanismos contra desinformação
A Meta, empresa responsável pelo Facebook, afirma que mantém políticas específicas para combater conteúdos que possam interferir no processo de votação.
Entre os materiais que a empresa diz remover estão informações incorretas sobre a data das eleições ou o número de candidatos. A companhia também mantém canais de denúncia integrados ao sistema da Justiça Eleitoral.
No entanto, segundo a Anistia Internacional, o experimento demonstra que os mecanismos de moderação podem não ser suficientes para impedir a aprovação inicial de determinados anúncios falsos.
A organização informou que procurou a Meta em julho para apresentar os resultados e questionar a empresa sobre os mecanismos utilizados para identificar e impedir a circulação de desinformação eleitoral. Até a divulgação do estudo, a Meta não havia respondido à organização.
Anúncios não chegaram ao público
Apesar da falha apontada no processo de moderação, é importante destacar que os anúncios utilizados no experimento não foram publicados.
A Anistia programou os conteúdos para uma data futura e cancelou as campanhas antes da veiculação. Dessa forma, o teste avaliou a capacidade do sistema de revisão da plataforma, mas não resultou na exposição dos usuários brasileiros às mensagens falsas.
O resultado, porém, coloca novamente em discussão a capacidade das redes sociais de controlar publicidade política e eleitoral durante períodos de intensa disputa política.
TSE mantém parceria com plataformas
Para as Eleições 2026, o TSE e a Meta firmaram um acordo que prevê canais para denúncias, acesso à Biblioteca de Anúncios e medidas destinadas a ampliar a transparência da publicidade política.
A parceria também contempla Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp e busca facilitar o encaminhamento de conteúdos potencialmente ilícitos para análise das plataformas.
Com a proximidade da votação, o combate à desinformação deve permanecer entre os principais desafios das autoridades eleitorais e das empresas de tecnologia.
O teste da Anistia Internacional acrescenta pressão sobre as plataformas para que os mecanismos de identificação e bloqueio de anúncios problemáticos funcionem de maneira mais eficiente durante a campanha eleitoral.

