O fazendeiro colombiano Yul Neyder Morales Sanchez tentou atribuir ao próprio irmão conversas interceptadas pela Polícia Federal (PF) para escapar de uma condenação da Justiça brasileira por associação a tráfico internacional de drogas.
O narcotraficante é acusado de manter uma fazenda na Bolívia onde produziria e refinaria cocaína. Segundo a acusação, a droga seria enviada a diferentes quadrilhas brasileiras e estrangeiras e, posteriormente, levada à Europa pelo Porto de Santos, em São Paulo. Yul foi condenado definitivamente, em novembro do ano passado, a sete anos de prisão, mas está foragido desde 2015. A defesa nega as acusações.
Com base em comunicações interceptadas pela PF, a acusação atribuiu a Yul as conversas que embasaram o processo. A defesa, porém, alegou que a voz identificada nas mensagens pertenceria, na verdade, a um irmão do fazendeiro. A tese, no entanto, não foi comprovada e acabou rejeitada pela Justiça.
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Os advogados de Yul sustentam que não foi feita perícia de voz, cruzamento de dados biométricos ou exames técnicos nos aparelhos investigados para provar que as mensagens pertenciam de fato a Yul.
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do Metrópoles SP
O juízo, no entanto, rejeitou as alegações por falta de provas. Os magistrados aplicaram o artigo 156 do Código de Processo Penal (CPP), que estabelece a obrigação de que provar uma alegação cabe a quem a fez. Sem entregar o suposto irmão, o fazendeiro permaneceu no radar da Justiça.
A informação está no voto da ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou um habeas corpus a Yul nessa segunda-feira (24/8). A magistrada reforçou a decisão do ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que também rejeitou o recurso interposto pela defesa do fazendeiro.
“Ao contrário do que alega, as provas produzidas mostram sua participação no crime de associação para o tráfico transnacional de drogas de que trata este feito. Além disso, não trouxe aos autos nenhum elemento probatório de que não era ele, mas um de seus irmãos, o responsável pelo crime, conforme alegado no bojo dos autos”, diz o voto.
Fazendeiro da coca na mira da PF e da Interpol
Yul Neyder é descrito pelo ministro Herman Benjamin como um “grande produtor e fornecedor de cocaína para narcotraficantes brasileiros e estrangeiros, movimentando expressiva quantidade da droga”. Ele administraria a fazenda junto com o pai dele, Cristobal Morales Velasquez, o “Papi Supremo”.
A dupla entrou na mira da PF após os investigadores interceptarem comunicações entre integrantes da Célula Porto, grupo responsável por escoar drogas para a Europa pelo Porto de Santos, com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), em 2014.
Yul foi detido em setembro daquele ano na Colômbia graças a um alerta vermelho da Interpol, mas acabou solto depois após o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) lhe conceder um habeas corpus.
A justificativa foi o excesso de prazo na instrução criminal, já que o Ministério Público Federal (MPF) ainda não havia apresentado denúncia contra o narcotraficante. Ele nunca mais foi capturado pela Justiça.
Em março deste ano, a 5ª Vara Federal de Santos ordenou a expedição de novo mandado de prisão contra o colombiano e determinou a reinclusão do nome dele na Difusão Vermelha da Interpol. O juízo também reforçou o interesse na extradição do foragido “por meio das vias diplomáticas”.
Defesa de fazendeiro nega acusações
O advogado que representa Yul argumenta que o processo condenatório possui “graves problemas jurídicos e probatórios”. “A condenação ainda é objeto de discussão judicial e [há] ilegalidades que entendemos terem ocorrido ao longo do processo”, disse, em nota.
A defesa argumenta que os elementos utilizados na condenação se referem a um episódio específico, “sem demonstração de reiteração, continuidade ou integração duradoura a uma organização”.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Milena Vogado.

