A coluna obteve acesso ao vídeo que mostra o momento em que a terceira pessoa indiciada na investigação sobre os supostos estupros praticados por um casal identificado como Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamyla Moraes de Souza, de 24, que se apresentava como pastor e pastora evangélicos em Roraima (RR), incentiva duas adolescentes a destruir um celular que, segundo a polícia, continha provas dos supostos crimes.
A mulher é a tesoureira da igreja e, de acordo com a investigação, teria participado da destruição do aparelho para ocultar evidências que poderiam auxiliar as apurações.
Nas imagens, ela filma e incentiva uma das vítimas a destruir o celular a marteladas. “Meu amor, quebra mais. Ainda não é suficiente”, diz, enquanto a adolescente golpeia o aparelho repetidas vezes.
Depois que a vítima se cansa, a irmã da tesoureira, também adolescente, assume a tarefa e continua martelando o celular. As duas só param quando uma faísca sai do aparelho.
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da Coluna Mirelle Pinheiro
Segundo a investigação, para justificar o desaparecimento do telefone, uma das vítimas teria sido orientada a registrar um boletim de ocorrência falso, informando o suposto extravio do celular.
Entenda
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Casal de pastores é indiciado por estuprar 6 adolescentes da igreja
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O celular ficou completamente destruído
Material cedido ao Metrópoles
A Polícia Civil concluiu, nessa semana, a investigação que apura uma série de crimes sexuais supostamente praticados pelo casal.
O inquérito resultou no indiciamento de Wenderson e Arielly por crimes como estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.
As investigações foram conduzidas pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e tiveram início após o registro de um boletim de ocorrência, em abril deste ano, envolvendo uma adolescente de 14 anos.
Ao longo da apuração, outras cinco vítimas, com idades entre 12 e 17 anos, procuraram a Polícia Civil relatando situações semelhantes.
Conforme aponta a investigação, o casal utilizava a posição de liderança religiosa para conquistar a confiança das adolescentes e de seus familiares.
A Polícia Civil afirma que os investigados recorriam a argumentos de natureza religiosa para manter as vítimas sob influência e, em alguns casos, ofereciam dinheiro, transferências via Pix e outras vantagens para impedir que os abusos fossem denunciados.
Segundo a delegada Kamilla Basto, responsável pelo inquérito, a estrutura de autoridade exercida pelos investigados contribuiu para dificultar a revelação dos fatos.
As investigações apontam ainda que os fiéis eram desencorajados a questionar os líderes da igreja.
A Polícia Civil aponta que documentos da própria instituição religiosa previam punições para integrantes que promovessem “rebeldia” ou “dissidência” contra a autoridade da igreja, circunstância que, na avaliação da investigação, reforçava o ambiente de intimidação.
No relatório final, a Polícia Civil destaca que não houve consentimento livre das vítimas e sustenta que os atos ocorreram em um contexto de manipulação psicológica, abuso de autoridade religiosa e coerção, circunstâncias que, segundo a corporação, afastam qualquer alegação de voluntariedade.
Com a conclusão do inquérito, Wenderson Lima foi indiciado pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança, adolescente ou pessoa vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica.
Já Arielly Kamyla responderá, em tese, pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.
O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público. A delegada responsável pelo caso também representou pela prisão preventiva dos dois líderes religiosos, pedido que será analisado pela Justiça.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Letícia Guedes.

