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MPF cobra fiscalização mais rígida da Marinha para combater garimpo ilegal nos rios do Acre

Marinha do Brasil intensifica fiscalização contra embarcações usadas no garimpo ilegal em rios do Acre.

Marinha do Brasil intensifica fiscalização contra embarcações usadas no garimpo ilegal em rios do Acre.

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou que a Marinha do Brasil adote medidas mais rigorosas para reforçar o combate ao garimpo ilegal nos rios da Amazônia Legal, incluindo o Acre. A orientação foi divulgada nesta terça-feira (21) e estabelece prazo de 60 dias para o início da implementação das ações.

O Acre está entre os estados abrangidos pela iniciativa, conduzida pelo 2º Ofício da Amazônia Ocidental, especializado no enfrentamento à mineração ilegal nos estados do Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima. A recomendação, entretanto, alcança todos os nove estados da Amazônia Legal.

O documento foi encaminhado aos Comandos da Marinha na Amazônia Ocidental e Oriental com o objetivo de fortalecer os mecanismos de fiscalização, prevenção e responsabilização relacionados ao uso de embarcações empregadas na mineração clandestina.

Segundo o MPF, uma das principais falhas identificadas está no processo de registro das embarcações. Atualmente, dragas e balsas podem ser registradas sem a apresentação de licença ambiental ou título de mineração emitido pela Agência Nacional de Mineração (ANM), o que permite que estruturas utilizadas no garimpo ilegal operem com aparência de regularidade.

Para corrigir essa situação, o órgão recomenda que a autorização para funcionamento dessas embarcações passe a depender obrigatoriamente da apresentação da documentação ambiental e minerária.

Outra medida proposta é a adoção de um procedimento administrativo que permita utilizar provas indiretas, como fotografias, vídeos, imagens de satélite, relatórios de inteligência e dados de geolocalização, para aplicação de multas e responsabilização dos proprietários, mesmo quando as embarcações forem destruídas durante operações de fiscalização.

O MPF também recomenda que a Marinha intensifique inspeções em oficinas e estaleiros localizados às margens dos rios amazônicos, locais onde dragas costumam ser construídas ou reformadas antes de entrarem em operação.

Além disso, o órgão sugere estudos para tornar obrigatória a instalação de rastreadores por satélite (GPS) em todas as dragas que atuam na Amazônia Legal. A tecnologia permitiria monitorar o deslocamento das embarcações em tempo real e identificar atividades em áreas proibidas, como terras indígenas e unidades de conservação.

A recomendação ainda prevê o compartilhamento de informações com o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) para detectar embarcações que desligam intencionalmente seus sistemas de localização ao ingressarem em áreas de exploração ilegal.

Por Allyson Barros

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