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Governo amplia gastos fora do teto e enfraquece meta fiscal em 2026

Congresso terá dois esforços concentrados antes das eleições
Daniel Ferreira/Metrópoles

A aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) dos combustíveis no Congresso Nacional ampliou o espaço para despesas fora das regras fiscais em 2026 e reacendeu o debate sobre a capacidade do governo de cumprir as metas estabelecidas no arcabouço fiscal.

O texto, que segue para sanção presidencial, incorporou uma série de medidas, os chamados jabutis, que permitem antecipar gastos e abrir exceções ao regime vigente, ao mesmo tempo em que tenta sinalizar algum ajuste para o próximo ano.

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Entenda o PLP dos combustíveis

O projeto foi originalmente desenhado para mitigar os efeitos da alta internacional do petróleo sobre os preços dos combustíveis no Brasil, com a possibilidade de redução de tributos federais.

Durante a tramitação, porém, o texto passou a concentrar outras iniciativas e acabou se transformando em um pacote mais amplo, incluindo incentivos a setores específicos e autorização para novas despesas.

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Entre os principais pontos está a autorização para antecipar despesas previstas para 2027 e executá-las já em 2026, sem impacto direto sobre a meta fiscal do ano.

Principais pontos da medida

Impacto para meta fiscal do governo

Além disso, o texto permite ampliar despesas fora do arcabouço fiscal em diferentes frentes. Há previsão de aumento de até R$ 2,5 bilhões nos gastos do Ministério da Defesa, que se somam a valores já autorizados anteriormente, e a possibilidade de antecipação de até R$ 3 bilhões em despesas para saúde e educação.

Esses valores se somam a outras autorizações semelhantes já em vigor, elevando o volume de recursos executados fora das regras fiscais em 2026.

O projeto também inclui subsídios e benefícios tributários, como subvenções ao etanol e créditos fiscais para o setor, além de incentivos a áreas como fertilizantes, minerais críticos e eventos específicos.

Parte dessas medidas foi incorporada ao texto durante a tramitação no Congresso, ampliando o alcance da proposta para além do objetivo inicial de enfrentar a volatilidade dos combustíveis.

A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, avalia que o conjunto de medidas tem impacto relevante sobre o equilíbrio das contas públicas. Em nota, a instituição afirmou que a ampliação de gastos por meio da antecipação de despesas, sem repercussão nas metas fiscais, contribui para a fragilização da regra fiscal vigente.

Segundo a IFI, a exclusão de determinadas despesas do cálculo do resultado primário e a criação de margens adicionais de gasto na meta não contribuem para o reequilíbrio orçamentário, nem para a ancoragem das expectativas econômicas.

A avaliação é que esse tipo de flexibilização pode pressionar a trajetória da dívida pública e influenciar variáveis como juros e crescimento.

No entanto, a instituição destaca a criação de espaço orçamentário adicional para os próximos anos. As mudanças previstas no projeto abrem uma folga estimada em cerca de R$ 10 bilhões na meta a partir de 2027, que poderá ser utilizada para acomodar novas despesas no Orçamento.

A estratégia do governo, por sua vez, combinou a ampliação de gastos no curto prazo com a inclusão de mecanismos de contenção para os anos seguintes. O texto aprovado prevê gatilhos fiscais que podem limitar o crescimento de despesas obrigatórias caso haja frustração de receitas ou descumprimento das metas.

Esses dispositivos foram negociados durante a tramitação como forma de reduzir resistências ao aumento de despesas e preservar o compromisso com a sustentabilidade das contas públicas. Ainda assim, segundo a IFI, o efeito imediato do projeto é de deterioração do resultado fiscal em 2026, com impacto sobre o déficit e a dívida no curto prazo.

A ampliação de exceções e a possibilidade de execução de despesas fora dos limites previstos no arcabouço fiscal são amplamente criticadas por especialistas, que defendem que só existam exceções a meta fiscal em casos excepcionais.

Relatório

O último relatório de avaliação de receitas e despesas bimestral, divulgado em julho, mostra que foram abatidos da meta fiscal R$ 62 bilhões, sem o abatimento dessas despesas, o resultado primário seria de déficit de R$ 52 bilhões. Com as despesas extra teto, o resultado foi de superávit de R$ 10,8 bilhões.

O modelo atual estabelece limites para o crescimento das despesas e metas de resultado primário, mas permite o acionamento de mecanismos de ajuste quando essas metas não são cumpridas.

Meta fiscal de 2026

Para este ano, a meta fiscal é de superávit de 0,25 % do Produto Interno Bruto (PIB), mas o piso da meta é de equilíbrio fiscal. De acordo com o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026, as projeções de 2026 até 2028 são, inevitavelmente, de superávit.

Confira, conforme a PLDO de 2026, quais são as metas do governo:


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Gabriela Pereira.

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