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Governo da Síria suspeita que familiares de Assad podem estar no Brasil

Bashar al-Assad é condenado à morte por crimes contra a humanidade
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Quatro integrantes da família Assad foram condenados à morte pelo novo governo da Síria nas últimas semanas, incluindo o ex-presidente deposto em 2024 após uma ofensiva liderada pelo Hayat Tahrir al-Sham (HTS). Em meio à caçada contra pessoas ligadas à Bashar al-Assad, autoridades de Damasco suspeitam que dois primos do ex-líder sírio estejam no Brasil.

As suspeitas surgiram no último ano, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30), realizada em Belém, no Pará.

Caçada contra a família Assad

Segundo interlocutores ligados à diplomacia e ao setor de inteligência da Síria, ouvidos pelo Metrópoles sob reserva, a informação foi repassada por membros da comunidade síria que vivem no Brasil para a delegação de Damasco, liderada pelo presidente Ahmad al-Sharaa, durante o evento em Belém.

Investigações apontam que um dos primos de Assad é irmão de Wassim al-Assad, que em 18 de agosto foi condenado a morte após julgamento em Damasco.

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do Metrópoles

Formado em engenharia, o homem manteve forte influência na região de Latakia. Segundo novas autoridades sírias, ele esteve envolvido em um esquema de contrabando e tráfico no porto da cidade portuária localizada no noroeste da Síria. 

Ele também era filiado ao Partido Baath, e chegou a ocupar uma das cadeiras do Parlamento Sírio durante o governo de Bashar al-Assad.

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Bashar al-Assad

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Bashar al-Assad, Atef Nijab e Maher al-Assad foram condenados à morte

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Quem é Atef Najib, oficial sírio condenado à morte com al-Assad

Reprodução/X4 de 5 Burak Kara/Getty Images5 de 5Borna News/Matin Ghasemi/Aksonline ATPImages/Getty Images

No início deste mês, autoridades sírias pediram o congelamento de seus bens por suposto apoio a uma milícia que opera na Síria conhecida como al-Wa’ad al-Sadiq.

O segundo primo de Bashar que pode estar no Brasil foi identificado como filho de Rifaat al-Assad, o irmão mais novo do ex-presidente Hafez al-Assad, que chegou a ocupar a vice-presidência síria entre 1984 e 1998.

A ligação com o antigo governo fez com que o homem se tornasse alvo de uma série de sanções internacionais a partir de 2023. Seu nome está incluído em listas de medidas restritivas da União Europeia (UE), Mônaco, Suíça, Bélgica e França.

Os dois teriam deixado a Síria após a queda de Bashar al-Assad, em 2024.

O impasse

Conforme apurou o Metrópoles, uma questão de ordem burocrática tem impedido o avanço das investigações em solo brasileiro: a composição da Embaixada da Síria no Brasil.

Apesar da queda do governo Assad, e da saída da antiga embaixadora da representação, Rania al Haj Ali, a maioria dos funcionários que continuam tocando as atividades da embaixada são do antigo governo.

Isso, relataram autoridades com conhecimento sobre o assunto, dificulta a troca de informações entre Damasco e a Embaixada da Síria no Brasil.

A expectativa é de que o cenário mude após as eleições deste ano, quando o governo brasileiro deve conceder o aval diplomático para novos embaixadores assumirem postos no Brasil — conhecido na diplomacia como agrément.

O que dizem as autoridades brasileiras?

Interlocutores do Ministério das Relações Exteriores, ouvidos sob reserva, afirmam que a possível presença de familiares de Bashar al-Assad no Brasil não é um tema de responsabilidade da diplomacia brasileira.

O Metrópoles também entrou em contato com a Polícia Federal (PF), responsável pela supervisão de entradas e saídas no país, e fez questionamentos sobre o assunto. Até a publicação da reportagem não ocorreram retornos. O espaço segue aberto para manifestações.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Junio Silva.

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