Policiais civis da 5ª Delegacia de Polícia (Área Central) prenderam quatro homens durante a Festa da Lili, na madrugada deste sábado (15/8), no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. As prisões ocorreram após denúncias de comercialização de drogas no evento. A coluna Na Mira acompanhou a movimentação durante a noite e registrou intenso consumo e comércio de entorpecentes em um dos banheiros do estádio. Dentro das cabines, três ou quatro homens se espremiam no espaço reduzido para consumir as substâncias.
Veja:
A reportagem também constatou que o banheiro masculino era frequentado por diversas mulheres, sem qualquer constrangimento ou controle aparente. A entrada de entorpecentes na festa também chamou atenção, diante de uma revista de segurança considerada superficial nos portões de acesso.
Durante a abordagem realizada no momento da venda, os agentes apreenderam com o grupo:
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do Metrópoles
- Comprimidos de ecstasy (balas);
- Envelopes e porções de pó branco (cocaína e MD);
- Frascos e tubos com substâncias líquidas (GHB/Loló);
- Pinos de droga, celulares, uma bolsa e R$ 153 em espécie.
As substâncias apreendidas foram encaminhadas ao Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) para os exames periciais cabíveis. Os demais objetos e aparelhos celulares foram registrados nos procedimentos policiais, com as restituições formalizadas quando cabíveis.
Imagens das apreensões:
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Drogas apreendidas
Reprodução / PCDF2 de 6
Além das drogas, a PCDF prendeu quatro homens
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Drogas apreendidas na Festa da Lili
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Colírios apreendidos
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Organização da Festa da Lili informou por nota que retirou 17 participantes
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Drogas começaram a ser usadas em banheiro e depois, na pista de dança
Reprodução / PCDF
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Os quatro homens foram autuados em flagrante, em tese, pelo crime de tráfico de drogas. Em razão da natureza da infração penal, não houve arbitramento de fiança pela autoridade policial. Após a conclusão das formalidades legais, os presos permaneceram à disposição do Poder Judiciário.
As investigações continuam com o objetivo de identificar outros envolvidos na comercialização e no fornecimento de entorpecentes.
Organização diz ter retirado 17 pessoas
Em nota, a produção da Festa da Lili afirmou que investe permanentemente em medidas rigorosas de segurança para preservar a integridade do público e o bom funcionamento dos eventos.
Segundo a organização, todos os participantes estão sujeitos a procedimentos de revista realizados pela equipe de segurança. A produção também informou manter monitoramento interno das diferentes áreas e ambientes das festas.
Ainda de acordo com a nota, os protocolos de segurança resultam em intervenções imediatas sempre que são identificadas condutas incompatíveis com as regras do evento. Somente na noite de sábado, 17 pagantes foram retirados da festa pela equipe de segurança após ocorrências identificadas durante o monitoramento interno.
“Banheirão do pó” e pagamento via Pix
A reportagem também identificou grupos de traficantes recebendo pagamentos via Pix antes de repassar envelopes e frascos aos compradores.
Com o avanço da madrugada, o consumo de drogas, inicialmente concentrado no banheiro apelidado pelos frequentadores de “banheirão do pó”, passou a ocorrer também na pista de dança.
Usuários foram flagrados misturando substâncias em garrafas de bebidas e até pingando líquidos diretamente nos olhos, como se fossem colírios.
O consumo excessivo provocou consequências rapidamente. Pelo menos quatro pessoas precisaram ser socorridas e levadas à enfermaria do evento até as 3h da manhã. Segundo os registros acompanhados pela reportagem, elas apresentavam convulsões e sinais de colapso físico.
Mapeamento dos entorpecentes comercializados:
- A “Gisele” (GHB), cujo nome químico é ácido gama-hidroxibutírico, é uma substância sintética depressora do sistema nervoso central de altíssimo risco.
- O apelido “Gisele” é uma brincadeira de pista e internet para se referir à letra “G” de GHB.
- O produto, historicamente associado ao uso industrial para limpar motores de avião, era dosado em tampinhas de remédio (como Neosoro) e vendido por R$ 60 a tampinha; o exagero na dosagem levou diversos frequentadores à enfermaria com convulsões e colapsos físicos;
- A “Tina” nada mais é do que metanfetamina cristalina pura, um potente e devastador estimulante sintético comercializado por valores elevados sob consulta. Os preços variavam de acordo com a quantidade mas uma pequena porção poderia passar de R$ 100;
- O MD (MDMA), vendido em forma de pó ou cristal de alta pureza, despontou como o entorpecente mais caro da pista, custando R$ 100.
A bala (Ecstasy) consistia em comprimidos sintéticos que começavam custando R$ 50 no início do evento, mas tinham seu preço inflacionado para R$ 100 conforme a madrugada avançava; - A Ketamina (Key), um potente anestésico veterinário, era comercializada por R$ 50 em sacos plásticos minúsculos;
- A cocaína era vendida a partir de R$ 50, variando de acordo com os gramas, para ser consumida e fracionada diretamente sobre a tampa dos vasos sanitários;
- Por fim, o “Loló” (Inalante) tinha seu valor definido livremente pelo comprador, que recebia o líquido dosado diretamente em sua garrafa de água, já que a organização da festa não fornecia bebidas em lata para o público geral, restringindo o uso de latas apenas aos compradores de combos.
Banimento do CPF de pagantes
Ainda na nota, a organização da Festa da Lili também atua em cooperação com as forças de segurança pública, inclusive auxiliando na identificação de movimentações consideradas suspeitas e colaborando com operações realizadas durante os eventos, inclusive com a presença de policiais à paisana.
Em relação às investigações mencionadas, não temos acesso aos seus detalhes e, por isso, não seria responsável antecipar conclusões sobre fatos que não nos foram formalmente apresentados. Reforçamos, porém, que qualquer irregularidade identificada dentro do evento é tratada com rigor e, quando necessário, comunicada e encaminhada às autoridades competentes e até o banimento do CPF de pagantes em eventos futuros.
A Festa da Lili permanece à disposição para prestar os esclarecimentos necessários e continuará colaborando integralmente com as autoridades.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Larice de Paula.

